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Escolha bem o tipo de aquecimento que usa em casa

O pneumologista Jaime Pina explica as vantagens e desvantagens dos tipos de aquecimento mais comuns

Aquecer a casa no inverno é fundamental, mas há cuidados a ter para prevenir doenças respiratórias. O médico pneumologista Jaime Pina explica as vantagens e desvantagens dos equipamentos mais comuns.

  • PorCatarina Caldeira BaguinhoJornalista

  • ColaboraçãoDr. Jaime PinaMédico especialista em Imunoalergologia e Pneumologia

O frio afeta a saúde respiratória e Portugal, apesar do mito do clima ameno, todos os anos sofre com isso. «Temos um problema sério de casos de pneumonia, morre-se mais cá devido a essa doença do que em quase toda a Europa e isso está ligado ao facto, entre outros fatores, de as casas estarem mal aquecidas no inverno», adianta o pneumologista Jaime Pina, à Revista Prevenir. Contudo, também o calor artificial não está isento de perigos.

Os riscos do aquecimento

A escolha de um mau aquecimento pode contribuir para causar e agravar várias doenças respiratórias, como sinusites, rinites, asma ou amigdalites. «Em casa, a temperatura ideal deve ser entre 19ºC e 23ºC e o nível de humidade deve rondar os 50 por cento. Excesso de calor e ar seco abrem a porta à desidratação das mucosas, o que pode gerar irritação ocular e do nariz, sangramento do nariz e também faringites, tosse seca, dermatite e descamação.


Além disso, esta combinação faz com que as partículas de pó que estão ao nível do chão subam e circulem ao nível do nariz. Passamos a respirar ácaros, vírus, bactérias, poeiras. As pessoas saudáveis aguentam tudo isto, mas o caso muda de figura nos grupos de risco, como crianças, asmáticos e pessoas com doenças respiratórias crónicas», alerta o médico.

Mantenha o ar da sua casa saudável

Siga os conselhos do médico especialista em Pneumologia e Imunoalergologia Jaime Pina.

  • Meça a temperatura e humidade do ar. Compre um termómetro-higrómetro que meça temperatura e humidade. «Ponha um no quarto das crianças, pois são particularmente sensíveis. Pode ser dos mais baratos. A humidade não deve descer abaixo dos 50 por cento», aconselha Jaime Pina.
  • Se o ar estiver seco, humidifique-o. «Pode colocar uma bacia de água junto do aparelho, mas não deixe a humidade subir muito para evitar o aparecimento de fungos. Beba água e hidrate as mucosas aplicando hidratantes nos olhos (colírios) e nariz».

«Em casa, a temperatura ideal deve ser entre 19ºC e 23ºC e o nível de humidade deve rondar os 50 por cento»

  • Não durma junto a lareiras ou braseiras. Siga esta regra dado o risco de incêndio e rarefação de oxigénio. «Os diabéticos, em particular, devem ter cuidado pois, caso sofram de neuropatia diabética, com a consequente insensibilidade correm o risco de sofrer queimaduras sem se aperceberem.»
  • Aqueça o quarto até aos 25ºC antes de dormir. «A temperatura desce dois graus à noite, pelo que, de manhã, estará nos 23ºC, ainda dentro do intervalo de conforto.»
  • Esteja atento aos sinais do corpo. A forma como o seu corpo reage ajuda-a perceber se o ar da sua casa está “viciado”. Esteja atenta aos seguintes sinais de alarme: dor de cabeça; irritabilidade; irritação ocular e nasal; irritação da pele; tosse seca.

Os 3 tipos de aquecimento mais saudável

Todos os sistemas de aquecimento modificam a qualidade do ar. Na hora de o escolher, o preço e a eficiência contam, mas a saúde é um critério essencial. Jaime Pina, médico especialista em Imunoalergologia e Pneumologia, indica as melhores opções.

1. Sistema de aquecimento central a água por calefação ou piso radiante

«Possui uma caldeira (a gás, gasóleo ou lenha) que produz calor. Este é distribuído pela casa através de canos na parede ou no chão por onde circula a água.»
Vantagens: «Depois de aquecer, a temperatura é constante. Dá muito conforto. Não liberta químicos, não polui o ar na divisão.»
Desvantagens: «Demora a aquecer e polui o ambiente exterior. No caso do piso radiante, o calor faz as partículas de pó subirem, o que implica aspirar todos os dias (com os sistemas de parede, isto não ocorre). Só aquece, não arrefece.»

2. Ar condicionado

«O sistema usa a circulação de um líquido/gás entre um condensador e um evaporador que liberta na divisão ar quente ou frio.»
Vantagens: «Aquece, arrefece e desumedece. Se for bem gerido, os perigos são mínimos. Para isso há que desinfetar o evaporador de seis em seis meses, lavar os filtros e secá-los semanal ou quinzenalmente.»
Desvantagens: «Seca o ar e cria uma corrente que levanta poeiras, ácaros e epitélios de animais, bactérias e vírus que estejam ao nível do chão. Se não tiver boa manutenção, pode contribuir para propagar doenças.»

3. Aquecimentos elétricos

«Há desde equipamentos com resistência elétrica até às modernas placas cerâmicas, lâmpadas de quartzo e aquecimentos a óleo. »
Vantagens: «Não secam muito o ar (exceto os termoventiladores), não libertam químicos e consomem pouco oxigénio (exceto os radiadores com resistência elétrica). Os termoventiladores são muito rápidos. Aparelhos até 1800 watts aquecem 20m 2 numa hora.»
Desvantagens: «Os aquecimentos a óleo têm pouca eficiência – para aquecerem 20m2 , precisam estar ligados o dia todo, mas são inócuos. Os de resistência elétrica consomem muito oxigénio e envolvem perigo de incêndio. Os termoventiladores secam e agitam o ar.

 


O pior aquecimento para a saúde é…

Segundo Jaime Pina, médico especialista em Imunoalergologia e Pneumologia, as piores opções são os aparelhos a gás e os que usam biomassa – lareiras, recuperadores de calor, braseiras, fogões de sala. «Todos diminuem o nível de oxigénio do ar e poluem-no: libertam óxidos de carbono, azoto, hidrocarbonetos e outros compostos orgânicos voláteis perniciosos para a saúde. Nos aparelhos a gás mais antigos, pode até haver perigo de fuga de gás. Os recuperadores de calor diminuem o problema da poluição em casa, mas poluem o ambiente. Já os pellets (aglomerados de madeira) ainda costumam ter aditivos e substâncias químicas para facilitar a queima», afirma Jaime Pina, à Revista Prevenir.

Última revisão: Novembro 2017

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