Sexo depois dos 50

Sexo depois dos 50

Será verdade que o desejo sexual feminino diminui e que os homens começam a ter dificuldades na ereção? A especialista em Medicina Sexual e Antienvelhecimento Maria do Céu Santo responde aos grandes clichés que assumimos como verdade sobre o sexo depois dos 50.

  • PorBárbara BettencourtJornalista

  • ColaboraçãoDra. Maria do Céu SantoMédica ginecologista obstetra

Ainda há muitas ideias feitas no que toca à vida sexual depois dos 50 anos. É inegável que a menopausa provoca alterações orgânicas, mas será que estas afetam a vida sexual? E será que as alterações da idade impactam da mesma forma homens e mulheres? «Quando surge a menopausa, geralmente entre os 45 e os 55 anos, os ovários deixam de produzir estrogénio e progesterona, e a mulher perde capacidade reprodutiva, mas não sexual.

Sexo depois dos 50: homens vs mulheres

No que toca aos homens, não existe um paralelo com a menopausa. O que há é uma diminuição gradual, mas não total, da produção de testosterona entre os 50 e os 60 anos. Uma pequena percentagem pode ter uma diminuição mais forte e apresentar sintomas», esclarece Maria do Céu Santo, médica ginecologista obstetra, especialista em Medicina Sexual e Antienvelhecimento, que responde às questões da Revista Prevenir acerca das principais ideias pré-concebidas sobre o sexo depois dos 50 anos e aponta estratégias que ajudam a melhorar a vida sexual do casal.

Começam a surgir as dificuldades na ereção

Parcialmente falso
«Se não houver disfunção, não há razão para não haver ereção, mesmo com a diminuição da testosterona. Pode é demorar mais tempo a surgir e ser mais difícil de manter. Por causa disso, alguns homens precisam de mais estímulo. Daí o cliché de procurar mulheres mais novas nesta idade – já que nos homens o estímulo é predominantemente visual.»

  • A especialista aconselha
    Caso haja dificuldades na ereção masculina, «primeiro há que despistar uma possível disfunção. Depois, podem usar-se técnicas que ajudam a manter a ereção: pôr a mão em anel à volta da base do pénis, sem garrotar, pode ajudar a manter o fluxo sanguíneo na zona. Pode ser o homem ou a mulher a fazê-lo. Há também quem espace mais as relações sexuais e aposte na qualidade. Até porque uma parceira nova pode garantir mais excitação, mas não necessariamente melhor orgasmo. Nas relações duradouras, mesmo que demore mais, o orgasmo pode ser mais intenso porque há menos insegurança. Isto vale para as mulheres também».

O desejo sexual feminino diminui

Parcialmente verdadeiro
«Há várias fases da vida em que pode haver oscilações do desejo, como após a maternidade e a menopausa. Em parte, devido às alterações hormonais que podem originar sintomas, como diminuição de libido e secura vaginal. A principal causa para a perda de desejo nesta altura é o que chamo disfunção de vida. Se ando cansada, é irreal achar que vou ter disposição para fazer amor depois das 22 horas.»

  • A especialista aconselha
    «Mude alguns hábitos: em vez de chegar a casa e jantar, façam amor primeiro e jantem depois. Ou façam amor de manhã. As mulheres tendem a preferir a noite, por ter mais envolvência. Os homens, a manhã, porque têm um pico de testosterona nesta hora. Às mulheres, digo que vale a pena ultrapassar a “preguicite”, porque depois é fantástico. Obviamente têm de estar focadas no seu prazer e isto é uma aprendizagem que se faz. O importante é que seja uma prioridade. Para a secura vaginal, recomendo o uso de um hidratante para tratamento e um lubrificante vaginal para a relação sexual. Deve ser à base de água, se usarem preservativo.»

O corpo já não é tão sensual

Falso
«Em qualquer idade, nunca se está totalmente seguro com o corpo que se tem. Ou é a barriga, ou as estrias, ou a celulite, ou a falta de cabelo… A sensualidade não está só na beleza, mas sim na atitude. O homem, se tiver dificuldade em ter ereção ou mantê-la, pensa que a excitação será mais fácil com uma mulher mais nova porque a imagem pode ser mais estimulante. Claro que na mulher, a beleza pode ser excitante, mas não é o fator número um.»

  • A especialista aconselha
    «No que toca à vida sexual, é tudo uma questão de afeto e atitude e de iluminação. Sim, a mulher deve continuar a cuidar-se, não para parecer que tem 20 anos, mas sabendo que pode ter uma atitude de charme e mais-valia que as miúdas não têm. Uma mulher de 60 anos hoje corresponde a uma mulher de 50 de antigamente. Algo que pode ser relevante é ultrapassar os desconfortos que a menopausa possa trazer, como os afrontamentos ou secura vaginal, que podem gerar muita ansiedade e vir refletir-se nas relações íntimas sob a forma de inibições. Há que procurar apoio médico.»

A mulher tem mais dificuldade em atingir o orgasmo

Parcialmente verdadeiro
«Atingir o orgasmo pode demorar mais tempo, principalmente no caso das mulheres que não fazem compensação hormonal. O orgasmo é, em grande medida, clitoriano. E, nesta fase, há uma atrofia e diminuição da enervação desta zona do corpo, o que pode levar a alguma dessensibilização. Outra coisa que pode ocorrer é um acumular de secreções no prepúcio do clitóris e este ficar colado e menos sensível, dificultando o orgasmo.»


  • A especialista aconselha
    «O facto de o orgasmo levar mais tempo não tem de ser um problema, mas cabe à mulher aprender a focar-se no seu prazer e orientar o parceiro, seja na velocidade ou na precisão, evitando dizer “ai, é horrível”. Se o clitóris estiver “preso” devido ao acumular de secreções, isto pode ser resolvido em consultório facilmente com um cotonete. A mulher também pode puxar suavemente o clítoris para trás, aumentando a sensibilidade da área. Lubrificar a vulva com hidratantes próprios também ajuda, sempre massajando bem para aumentar a vascularização, estimular a circulação e contrariar a atrofia.»

A medicação rouba o desejo

Parcialmente verdadeiro
«Alguns medicamentos, como os antidepressivos e os anti-hipertensores, podem ter efeitos negativos no sexo depois dos 50. Nestes últimos, o efeito é mais marcado nos homens, porque a ereção ocorre por vasodilatação e os anti-hipertensores atuam precisamente sobre a irrigação sanguínea. Já a excitação das mulheres tem um mecanismo diferente (é por isso que o Viagra não é eficaz no sexo feminino).»

  • A especialista aconselha
    «No caso de, após a terapêutica referida, existir alteração da libido, deve procurar o médico assistente para resolver o problema.»

Já não se tem a mesma energia para o sexo depois dos 50

Parcialmente verdadeiro
«Pode haver mais cansaço durante o sexo depois dos 50. Na maior parte dos casos, as pessoas ainda trabalham. Mas querer ter o mesmo estilo de vida aos 50 que se tinha aos 20 é irreal. Por outro lado, o mundo mudou e isso reflete-se nas hormonas. Na Idade Média, as mulheres casavam-se aos 12 e morriam aos 48. Hoje, temos filhos aos 40 e a esperança média de vida está nos 82 anos…»

  • A especialista aconselha
    «Em primeiro lugar, deve adaptar os horários de fazer amor. Não escolher a meia-noite, mas, sim, quando se tem mais tempo e energia. Além disso, deve adotar a postura do cisne e não a da tartaruga cansada, seja na cama, num jantar ou no supermercado. A postura reflete uma atitude interna. Há uma frase que devia ser proibida que é “no meu tempo…”, porque o nosso tempo é aquele em que vivemos. Por isso, temos de nos manter atualizados. É mentira que burro velho não aprende línguas. Aprende isso e muito mais.»

A flexibilidade diminui

Verdadeiro
«Sim, a flexibilidade, tal como a energia, pode diminuir se a pessoa não se cuidar, mantendo-se ativa. Mas o sexo não é uma acrobacia e, neste campo, a flexibilidade é secundária. Mais importante é a disponibilidade.»

  • A especialista aconselha
    «Privilegiar os exercícios de alongamento, em detrimento dos exercícios de alto impacto, e tomar banho de imersão ajuda – o calor húmido ajuda à flexibilidade. Cuidado apenas se tiver varizes ou dificuldades em sair da banheira. Em vez das técnicas acrobáticas, deve apostar mais em massagens e outro tipo de demonstração de afetos. A sexualidade não é só penetração. Começa na cabeça: o principal fator é a criatividade e a fantasia; e isso não deve diminuir com a idade.»
Última revisão: Outubro 2017

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