Soluções complementares no tratamento da infeção urinária

Homeopatia, medicina tradicional chinesa ou medicina funcional integrativa são formas de terapias alternativas que podem ajudar no tratamento da infeção urinária

São terapias alternativas que através de uma nova abordagem podem, também elas, ser eficazes no tratamento da infeção urinária. Saiba como.

  • PorBárbara BettencourtJornalista

  • ColaboraçãoDra. Daniela SeabraNutricionista
  • Prof. Filomena Serrano Especialista de Medicina Tradicional Chinesa
  • Dr. Gabriel CampuzanoMédico de Clínica Geral e Homeopata
  • Dr. Miguel DamasMédico especialista em Clínica Geral 
  • Prof. Dr. Nuno Monteiro PereiraMédico urologista

As infeções urinárias são recorrentes, sobretudo nas mulheres. E apesar de as causas poderem ser distintas, os sintomas são quase sempre os mesmos: ardor durante a micção, sensação de urgência em urinar e desconforto e sensação no peso da região pélvica, revela Nuno Monteiro Pereira, médico urologista. Os antibióticos  continuam a ser o tratamento de primeira linha, mas a Organização Mundial da Saúde já alertou para o aparecimento de bactérias resistentes. Além desta solução, existem outras, como as terapias alternativas, que podem também ajudar no tratamento da infeção urinária.

Terapias alternativas para o tratamento da infeção urinária

Além da medicina convencional, existem terapias que propõem outras formas de abordar o tratamento da infeção urinária.

– Homeopatia

«As bactérias são o resultado e não a causa do problema»

Na perspetiva da homeopatia, «a causa de fundo das infeções urinárias não está na bactéria que provoca os sintomas. O equilíbrio delas com o organismo perde-se e isso torna-o suscetível ao desenvolvimento da infeção», considera Gabriel Campuzano, médico de Clínica Geral e homeopata.

  • Como atua
    «A homeopatia clássica procura descobrir o desequilíbrio padrão que fez o organismo cair nesse défice funcional e atua sobre ele com um medicamento homeopático individual, capaz de restabelecer o equilíbrio global. No caso das mulheres, entre outras coisas, pode ser stresse ligado à forma de se relacionar emocionalmente. Um padrão que se repercute no organismo e cria uma suscetibilidade de base. Isto porque nas mulheres, há uma relação emocional maior com o sistema ginecológico e urinário. Os níveis bacterianos podem não desaparecer senão muitos meses depois, mas, na minha experiência, os sintomas desaparecem muito rapidamente, deixando de criar incómodo», explica.

– Medicina Tradicional Chinesa

«O que comemos pode ser a causa da infeção»

De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa, «as infeções urinárias têm como causa principal a alimentação (consumo abusivo de doces, gorduras, picantes, álcool), a atividade sexual (agravada por maus hábitos de higiene), doenças crónicas (destaca-se a debilidade do sistema imunitário), stresse e fatores exógenos (humidade, calor). Fatores que causam vulnerabilidade do organismo face às infeções urinárias», diz Filomena Serrano, especialista de Medicina Tradicional Chinesa e docente da Escola de Medicina Tradicional Chinesa.


  • Como atua
    «A terapêutica passa pelo recurso à acupuntura, fitoterapia, dietética e hábitos saudáveis. Na fitoterapia, usamos matéria médica oriental e ocidental (sobretudo plantas), sob a forma de comprimidos, cápsulas ou extratos líquidos. As plantas ocidentais mais usadas são uva-ursina, barbas-de-milho, arando, cavalinha ou malva. Restringimos gorduras cozinhadas, picantes quentes, açúcares, laticínios e bebidas alcoólicas. Deve aumentar-se a ingestão de água e evitar o tabaco. Recomendamos, ainda, a prática moderada de exercício físico e práticas meditativas».

– Medicina Funcional Integrativa

«Suplementos e alimentos repõe o equilíbrio microbiano»

De acordo com a Medicina Funcional Integrativa, «o tratamento das infeções urinárias pode ter outras opções além dos antibióticos. A sua toma repetida pode até estar associada a uma maior frequência de infeções, já que não só elimina as bactérias agressoras, como também parte do nosso microbioma, um ecossistema de bactérias, fungos e leveduras que contribui para a manutenção da saúde», explica à Revista Prevenir Miguel Damas, médico especialista em clínica geral e familiar na Clínica Cristina Sales de Medicina Funcional e Integrativa.

  • Como atua
    Envolve a «reposição da flora intestinal e estimulação do sistema imunitário com suplementação imunorreguladora (vitamina D, ómega 3 e magnésio) e, em certos casos, a toma prolongada de extrato de arando». Glúten, produtos lácteos, açúcar e alimentos processados são excluídos da dieta. «A alimentação fornece a matéria prima a todas as células do organismo, influencia as hormonas, modula a expressão genética e a composição microbiana intestinal que, por sua vez, influencia a composição microbiana vaginal e urinária».

Protetor natural: arando vermelho

«Os compostos presentes neste fruto impedem a adesão das bactérias E.coli à mucosa urinária. Não conseguem, porém, ter efeito sobre bactérias que já estejam ligadas à mucosa. Serve, assim, como prevenção e não como tratamento», refere Daniela Seabra, nutricionista na Clínica Cristina Sales de Medicina Funcional e Integrativa.

  • Dose ideal
    Não é consensual. «Alguns estudos usam entre 300 a 30 ml de sumo por dia em adultos, ou 200 mg a 2000 mg, no caso de comprimidos. O tratamento deve ser feito durante seis meses, no mínimo».
  • Cuidados a ter
    – Devido ao seu teor de oxalatos, beber mais do que 1L de sumo de arando, durante um longo período de tempo, pode aumentar o risco de pedras nos rins.
    – A suplementação ou a toma de grandes quantidades de sumo pode interagir com a toma de anticoagulantes orais.
    – O arando tem ácido salicílico tal como a aspirina. Se tem alergia à aspirina não consuma arando vermelho sem consentimento médico.
Última revisão: Dezembro 2017

artigos recomendados

Previous Next
Close
Test Caption
Test Description goes like this