Tipos de dor: como é a sua?

Tipos de dor: saiba como é a sua

Existem vários tipos de dor consoante a sua duração, localização e mecanismo de origem. Aprenda a distingui-las.

  • PorCarlos Eugénio AugustoJornalista

  • ColaboraçãoDra. Eunice SilvaMédica anestesiologista

Há cerca de dois milénios, os gregos acreditavam que a dor era uma emoção. O legado foi passado à ciência moderna e, hoje, a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) define-a como «uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a uma lesão tecidular atual ou potencial, ou que é descrita como tal». Sintoma que afeta milhões em todo o mundo, a dor causa instabilidade física e psicológica, está diretamente associada a uma assinalável percentagem de absentismo, paralisa, causa medo e depressão. Mas, como lembra Eunice Silva, médica anestesiologista, «é também um alerta importantíssimo do nosso organismo, imprescindível para nos podermos defender, sendo uma experiência essencial à sobrevivência. O problema é quando se mantém além da sua função protetora, tornando-se uma doença».

A biologia da dor

A dor é um processo que ocorre em três áreas do corpo humano.

  1. Pele
    «A dor é sentida através dos milhões de recetores espalhados na pele que estão ligados a neurónios individuais que transportam essa informação para a medula espinhal. Ao receber um estímulo (calor, frio, beliscão, corte), esses recetores absorvem a mensagem e desencadeiam um impulso elétrico, por via dos nervos periféricos, que sobe até à espinal medula, à “boleia” de um neurónio, podendo provocar reflexos a nível muscular», descreve a especialista.
  2. Medula
    «Já na medula, outro neurónio leva a informação de perigo ao cérebro que interpreta a mensagem, com base em experiências anteriores, no córtex pré-frontal, e formula uma opinião sobre os estímulos e respostas a dar.»
  3. Cérebro
    «O córtex somatossensorial regista a intensidade e o local da dor e decreta uma reação (fuga, afastamento, choro, grito) por via da espinal medula, podendo reduzir ou amplificar a dor, e enviar substâncias químicas para a atenuar.»

Dor: o 5.º sinal vital

Em 2005, uma circular normativa da Direção-Geral da Saúde (DGS) equiparou a dor ao 5.º sinal vital. Isto significa, como explica Eunice Silva, médica anestesiologista, que «a dor é avaliada sempre que se analisam os restantes sinais vitais: temperatura corporal, pulso ou frequência cardíaca, pressão arterial e frequência respiratória». Assim, embora «a sua quantificação seja sempre subjetiva, ela servirá de termo de comparação numa nova consulta ou após o tratamento».

Quando a dor dura mais de três meses é considerada uma dor crónica. Geralmente, é difícil identificar quando começou ou qual a sua causa

Os vários tipos de dor

A dor pode ter vários níveis de intensidade, de duração e diferentes origens. A identificação destas características é essencial para a definição do tratamento.

1. Tipos de dor quanto à duração

Dor aguda
Dura menos de três meses. Funciona como um sinal de alarme, tendo uma função protetora. Desaparece após estarmos a salvo da agressão.

Dor crónica
Dura mais de três meses. Geralmente, é difícil identificar quando começou ou qual a sua causa, podendo manifestar-se com várias características, apresentar várias causas e diversos estádios patológicos. Trata-se de uma síndrome e precisa de tratamento médico específico.

2. Tipos de dor quanto à doença associada

Distingue-se a dor oncológica (associada a situações de cancro) da não oncológica.

3. Tipos de dor quanto à localização

Pode ser generalizada, visceral, num membro, nos tendões, nos músculos, etc. É determinante para ponderar tratamentos mais localizados.

4. Tipos de dor quanto aos mecanismos que estão na sua origem

Dor neuropática
Tem origem numa lesão dos nervos periféricos ou centrais (pós-AVC). Pode ser descrita como queimadura, dormência, formigueiro ou picadas.

Dor nociceptiva
Surge por lesão dos tecidos. Pode ser associada à dor neuropática e, nesses casos, é considerada uma dor “mista”.

Dor psicogénica
Resulta de componente psicológica: fibromialgia, síndrome do cólon irritável, cistite intersticial.


Qual é o seu nível de dor?

Verbalizar a dor, explicar o que sente, pode não ser fácil, mas é essencial para se conseguir um diagnóstico certeiro que ajude a definir um tratamento adequado. Para facilitar esse passo, existem diversos tipos escalas: umas permitem avaliar parâmetros qualitativos; outras, parâmetros comportamentais e emocionais. Na prática, ajudam o doente a contar o que sente, “traduzindo” para o profissional de saúde uma experiência sensorial universal, mas também subjetiva.

 

Última revisão: Outubro 2017

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