Principais causas da infeção urinária

Questões anatómicas, estilo de vida ou suscetibilidade genética são algumas das várias causas da infeção urinária

Uma das causas da infeção urinária tem que ver com a anatomia. É por isso que ela afeta mais mulheres do que homens. Conheça o porquê, bem como outros motivos que podem desencadear este tipo de infeção.

  • PorBárbara BettencourtJornalista

«É uma situação tão comum que nem há números relativos à taxa de incidência», afirma Nuno Monteiro Pereira, médico urologista, à Revista Prevenir. As mulheres são quem mais sofre com o problema, embora os homens tenham os casos mais graves. Muitas vivem anos com infeções recorrentes, com custos altos para a vida pessoal e laboral. Conhecer as causas da infeção urinária de forma individual é essencial para garantir um tratamento mais eficaz.

Tipos de infeção urinária

Apesar de os sintomas  serem semelhantes (o ardor durante a micção é a principal queixa), a infeção urinária pode ter diferentes denominações. Quando ocorre até três vezes por ano, diz-se ocasional. Se ultrapassar este número, estamos perante uma infeção urinária recorrente. Na origem deste tipo, podem estar três motivos: a presença de pedras na bexiga ou nos rins; malformações congénitas no trato urinário, como por exemplo, o refluxo vesicouretral (quando, devido a uma deficiência das válvulas da bexiga, o fluxo da urina sobe em direção aos rins em vez de descer para a uretra); ou a diabetes (a presença de glicose na urina pode facilitar o crescimento bacteriano).

4 causas da infeção urinária

As causas da infeção urinária podem ser variadas. Nuno Monteiro Pereira, médico urologista, explica à Revista Prevenir o que pode contribuir para o aparecimento deste tipo de infeção.

Quando ocorre até três vezes por ano, diz-se que a infeção urinária é ocasional. Se ultrapassar este número, estamos perante uma infeção urinária recorrente

1. Anatomia feminina

Uma das principais causas da infeção urinária, e a grande razão, «é a anatomia», aponta Nuno Monteiro Pereira. É por isso que as mulheres são mais suscetíveis às infeções urinárias. «A uretra feminina (o canal que liga a bexiga ao exterior) tem, normalmente, 3 a 3,5 cm. Ou seja, é curta, comparativamente à do homem (com cerca de 18 cm), e conta apenas com um mecanismo esfincteriano para conter a ascensão das bactérias», refere. Por outro lado, a localização não ajuda: está situada perto da vagina — e o meio vaginal está sempre povoado por milhares de microorganismos que constituem a flora vaginal — e muito perto do ânus. Não é por acaso que a bactéria que mais causa infeções urinárias é a Echerichia coli, ou colibacilo, uma bactéria que habita o cólon. Outras são o Staphylococcus saprophyticus, o Proteus mirabilis, o Enterococus e a Klebsiella.

2. Equilíbrio comprometido

Em condições ideais, a urina é estéril, ou seja, não contém microorganismos. Apenas água, ureia, ácido úrico e minerais, como sódio, potássio ou magnésio. «Parasitas e fungos sobrevivem com dificuldade na urina, mas as bactérias encontram alimento ótimo para se fixarem», explica o urologista.


Dependendo do órgão que a urina está a banhar, pode haver infeção da bexiga (cistite), da uretra (uretrite), dos rins (pielonefrite) ou da próstata (prostatite). Ao contrário do que sucede na bexiga, a população que vive na zona da vagina é diversificada. Manter o equilíbrio entre fungos, bactérias e bacilos (visitantes próximos do cólon ou “turistas” ocasionais) requer um sistema de defesa apurado. Qualquer alteração pode mudar a proporção de bactérias e comprometer o equilíbrio da flora, facilitando as infeções, nomeadamente urinárias.

3. Estilo de vida

As alterações podem ser causadas por fatores diversos, como «o excesso de lavagem com líquidos de lavagem íntima que alteram o pH da vagina, o uso de roupa interior apertada de fibras sintéticas que aquecem a área, até a menopausa, gravidez, toma de antibióticos e outras situações com reflexo hormonal capazes de se refletir na flora da vagina», explica o médico. Há ainda causas mecânicas que facilitam a entrada de bactérias na uretra, como a limpeza do ânus de trás para a frente ou as relações sexuais. A chamada “cistite da lua-de-mel” ocorre porque «os movimentos de fricção do coito facilitam a entrada de microorganismos da vagina na uretra. Se não houver uma boa lubrificação, a área fica ainda mais vulnerável. Muitas mulheres diminuem a frequência das relações sexuais por medo, já que sabem que há uma correlação», diz Nuno Monteiro Pereira.

4. Suscetibilidade genética

Normalmente, a vagina tem capacidades de defesa e a flora bacteriana tem um efeito benéfico. Mas, por vezes, «o colibacilo, ou outra bactéria, entra pelo orifício vaginal, percorre a curta distância da uretra e encontra na bexiga um meio ótimo para se estabelecer e reproduzir.

«Basta ter uma uretra uns milímetros mais curta ou mais larga que o habitual, para aumentar logo a probabilidade de infeções»

Em circunstâncias normais, estas bactérias são eliminadas pelo fluxo e propriedades antibacterianas da urina. A uretra tem também pequenas glândulas que produzem líquido antibacteriano como forma de proteção, mas muitas mulheres têm estas capacidades de defesa diminuídas geneticamente. Basta ter uma uretra uns milímetros mais curta ou mais larga que o habitual, para aumentar logo a probabilidade de infeções», explica.

Última revisão: Dezembro 2017

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