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Mitos e verdades sobre a diabetes

Mitos e verdades sobre a diabetes

Conhecer melhor a diabetes, afastando ideias preconcebidas e sabendo como vencer os obstáculos que impõe, pode ajudar não só a prevenir a doença, como a ter uma vida mais saudável quando já está instalada. A médica internista Paula Pereira desconstrói oito ideias.

  • PorCarmen SilvaJornalista

 

  • ColaboraçãoDra. Paula PereiraMédica de Medicina Interna e coordenadora do Centro Multidisciplinar de Diabetes do Hospital Lusíadas Porto

A diabetes é uma doença metabólica crónica relacionada com o aumento dos níveis de açúcar no sangue (glicemia). Afeta um milhão de portugueses e todos os dias são diagnosticados 200 novos casos, segundo o Relatório do Programa Nacional para a Diabetes 2017, da Direção-Geral da Saúde. A diabetes tipo 1, que é mais rara e atinge sobretudo crianças e jovens, acontece quando as células ß do pâncreas deixam de produzir insulina, a hormona que controla os níveis de glicose (açúcar) no sangue, pode ler-se no site da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP). Mas a forma mais comum da doença é a diabetes tipo 2, que se caracteriza por um défice ou resistência à insulina, em que é necessária mais hormona para controlar a mesma porção de açúcar no sangue.

A diabetes é contagiosa

Mito

Uma vez que se trata de uma «doença metabólica, que surge quando há menor segregação de insulina ou quando existe resistência à insulina, a diabetes não é contagiosa», esclarece Paula Pereira, médica internista. Ainda se desconhecem as causas da diabetes tipo 1, mas sabe-se que o sistema imunitário ataca e destrói as células ß do pâncreas. Na diabetes tipo 2, mesmo havendo uma «propensão genética para desenvolver a doença (1/8 se a mãe era diabética antes do parto)», um dos maiores fatores de risco está relacionado com «o sedentarismo e os maus hábitos alimentares», refere.

  • Faça assim: Adote uma «alimentação saudável [ver galeria de imagens abaixo] e pratique exercício físico [ver caixa Mexa-se pela sua saúde]», tanto na ótica da prevenção, como do controlo da doença.

Comer muito açúcar pode provocar diabetes

Verdade

«Um consumo exagerado, e prolongado no tempo, de açúcar poderá levar ao aparecimento da diabetes tipo 2 porque o pâncreas, responsável pela produção da insulina, acaba por entrar em falência», refere Paula Pereira. O problema reside, sobretudo, nos açúcares de adição de absorção rápida, como o que se coloca no café, dado originarem «picos de insulina».

  • Faça assim: A energia para o organismo funcionar deve «ser proveniente de hidratos de carbono de absorção lenta [ver galeria de imagens abaixo]», revela a médica internista.

Os sintomas de diabetes são claros

Mito

«Regra geral não são, pois surgem sobretudo quando a diabetes está descompensada», ou seja, quando deixa de existir insulina no organismo (tipo 1) ou quando esta existe em quantidade insuficiente ou não consegue atuar (tipo 2), levando à acumulação do açúcar no sangue, provocando uma hiperglicemia. Nestas situações, os sintomas «como a perda de peso, sede excessiva, fome, infeções urinárias ou genitais, feridas que não cicatrizam e, menos frequentemente, alterações de consciência, inclusive coma, já são expressivos», elucida Paula Pereira.

  • Faça assim: Procure a ajuda de um especialista. Como, por norma, «não há grande sintomatologia, a maioria dos casos tem de ser diagnosticada por avaliação analítica», conclui a médica.

Controlada a doença, pode-se interromper a medicação

Mito

«Qualquer doença crónica, controlada por medicação, para que se mantenha assim é necessário que se continue a tomar os medicamentos», esclarece a médica.

  • Tem de saber: Numa primeira fase, a diabetes tipo 2 até pode ser «controlada através da alimentação e atividade física», mas, com a progressão da doença, poderá ser necessária medicação: «antidiabéticos orais (comprimidos), que estimulam a produção de insulina, abrem portas para a sua atuação, retiram açúcar do organismo pela urina e, ainda, medicação injetável, sem ser insulina, que controla muito bem os níveis de açúcar, reduzindo o peso e protegendo o diabético de complicações, nomeadamente cardiovasculares.» Já a diabetes tipo 1 é tratada com injeções de insulina.

A insulina pode provocar aumento de peso

Verdade

«Quando os doentes estão descompensados, há mais açúcar no sangue e, ao iniciar o tratamento com insulina para controlar o desequilíbrio, o açúcar vai ser armazenado em grandes quantidades nos tecidos. Se a pessoa não o gasta, vai transformar-se em gordura», explica Paula Pereira.

  • Faça assim: Para prevenir estas situações, «aconselhamos atividade física diária, sem ser necessariamente obrigatório ir ao ginásio. Na verdade, em termos metabólicos, melhor do que passar o dia sentada no sofá ou à secretária e depois ir ao ginásio uma hora é realizar atividade física durante o dia [ver caixa Mexa-se pela sua saúde]», refere a especialista em medicina interna.

A maior parte dos alimentos especiais para diabéticos não tem alguns tipos de açúcar, mas em compensação tem uma grande quantidade de gordura

Pessoas com diabetes podem vir a sofrer de disfunção sexual

Verdade

«Sim, principalmente os homens. Nas mulheres não é tão evidente», indica Paula Pereira e manifesta-se «na perda do desejo, incapacidade de atingir o orgasmo e alterações de lubrificação». Já no sexo masculino, revela-se sob a forma de «impotência sexual. Isto acontece porque o excesso de açúcar no sangue afeta o endotélio», uma membrana que reveste internamente as câmaras do coração (aurículas e ventrículos), os vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares) e os vasos linfáticos. Como a região genital «é bastante vascularizada, acaba por ser também afetada», revela a especialista.

  • Faça assim: Para tratar as disfunções, Paula Pereira defende que «os doentes devem ser avaliados individualmente pois cada caso é um caso». No entanto, «além da possibilidade de recorrer a medicamentos próprios para tratar a disfunção sexual, uma diabetes controlada é fundamental para diminuir e prevenir o risco desta disfunção», conclui a médica internista.

É recomendado comer alimentos especiais para diabéticos

Mito

«Isto não é verdade», revela a médica internista, justificando que «a maior parte destes alimentos realmente não tem alguns tipos de açúcar, mas em compensação tem outras substâncias para serem mais saborosos». Paula Pereira aponta «o chocolate para diabéticos, que tem o dobro da gordura em relação ao chocolate vulgar».

  • Tem de saber: Uma vez que «uma pessoa com diabetes acaba por ter tendência para excesso de peso, hipertensão e dislipidemia (alterações da gordura no sangue), não faz sentido comer estes alimentos, que possuem grande quantidade de gordura», refere.

Quem sofre de diabetes não pode comer doces

Mito

«Pode, mas não todos os dias», elucida Paula Pereira, aconselhando a que se comam doces apenas «em dias de festa, preferencialmente no final da refeição e tendo em atenção as quantidades». No caso do chocolate, «um quadrado ou dois, de chocolate negro (mínimo 70 por cento) é uma boa opção porque o cacau tem propriedades antioxidantes. Já o chocolate de leite tem mais açúcar e o branco deve mesmo ser evitado porque não tem cacau, apenas gorduras e açúcares», explica a especialista em medicina interna.

  • Faça assim: Antes de ingerir estes alimentos, «avalie o nível de açúcar do sangue. No caso de estar controlado, poderá comer um doce», revela a especialista.

Tem diabetes? Faça uma alimentação saudável

Conheça as regras que lhe permitem manter uma alimentação equilibrada através da galeria de imagens que preparámos para si.

Hidratos de carbono
Hidratos de carbono

Apesar do impacto que têm na glicemia, devem ser a principal fonte de energia. Privilegie os de absorção lenta. Opte por: Pão de centeio ou de mistura, arroz integral, batata-doce e leguminosas (feijão, grão-de-bico, ervilhas).

Apesar do impacto que têm na glicemia, devem ser a principal fonte de energia. Privilegie os de absorção lenta. Opte por: Pão de centeio ou de mistura, arroz integral, batata-doce e leguminosas (feijão, grão-de-bico, ervilhas).

Fibras
Fibras

São fundamentais para regular os níveis de glicose no sangue. Opte por: Iniciar as refeições principais com sopa de legumes e incluir salada e hortaliças no prato.

São fundamentais para regular os níveis de glicose no sangue. Opte por: Iniciar as refeições principais com sopa de legumes e incluir salada e hortaliças no prato.

Gordura
Gordura

Evite a sua ingestão excessiva, de modo a controlar melhor o peso e a glicemia. Opte por: Azeite para cozinhar e temperar. Prefira carnes magras e reduza os fritos.

Evite a sua ingestão excessiva, de modo a controlar melhor o peso e a glicemia. Opte por: Azeite para cozinhar e temperar. Prefira carnes magras e reduza os fritos.

Sal
Sal

Reduza o seu consumo, pois é um fator de risco para a hipertensão arterial. Opte por: Incluir ervas aromáticas, especiarias e sumo de limão.

Reduza o seu consumo, pois é um fator de risco para a hipertensão arterial. Opte por: Incluir ervas aromáticas, especiarias e sumo de limão.


Fonte: Dados adaptados a partir de informação do site da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP)


Mexa-se pela sua saúde

Existem várias atividades que pode fazer para gastar a energia acumulada no organismo:

  • Optar pelas escadas, em vez do elevador ou escadas rolantes.
  • Fazer pequenos intervalos, quando sentada à secretária, como optar por ir à impressora mais distante.
  • Andar a pé em vez de carro/ autocarro.

Fonte: Dados adaptados a partir da informação do site da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e da médica internista Paula Pereira

Última revisão: Dezembro 2019

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