Não quer ter hemorroidas? Leia este artigo

Hemorroidas: as causas, os sintomas e como prevenir a doença hemorroidária

Todos as temos (saudáveis), mas ninguém as quer (doentes). Setenta e cinco por cento das pessoas vai sofrer com hemorroidas em alguma altura da vida, mas o ideal é evitar que o problema apareça.

  • PorBárbara BettencourtJornalista

  • Entrevista aDr. José Pedro AzevedoMédico cirurgião

Estar grávida, ter excesso de peso, ter mais de 40 anos ou passar muito tempo sentado ou de pé são alguns dos fatores que fazem com que se tenha mais propensão para desenvolver a doença hemorroidária. José Pedro Azevedo, médico-cirurgião no Hospital CUF Porto, especialista em Proctologia, a área da medicina que trata as doenças do reto e do ânus como esta, esclarece em entrevista à Revista Prevenir os principais aspetos da doença.

O que são exatamente as hemorroidas?

Há um mito relativamente a isto. As pessoas dizem: “Doutor, estou com hemorroidas”, mas, na verdade, isto não é correto. Hemorroidas todos temos desde que nascemos, e ainda bem. Elas não são uma doença, mas, sim, um tecido constituinte normal do canal anal e reto. É um tecido muito rico em vasos sanguíneos, formando uma espécie de “almofadas vasculares” cuja função é facilitar a evacuação e contribuir para a continência. Ou seja, manter o ânus fechado.

«Hemorroidas todos temos desde que nascemos, e ainda bem. Elas não são uma doença, mas, sim, um tecido constituinte normal do canal anal e reto»

Quando, por alguma razão, este tecido é comprometido, aí, sim, surge a doença hemorroidária: as veias dilatam-se em excesso, podendo haver sangramento, prolapso (saída pelo ânus durante a evacuação) ou até a formação de coágulos (trombos).

O que pode comprometer o tecido hemorroidário?

Todas as situações que façam dilatar as veias, exatamente como ocorre com as varizes. Estar muito tempo sentado ou de pé, a gravidez e a obesidade, por aumento da pressão abdominal, podem dificultar a circulação nos vasos do canal anal. No caso da gravidez, acontece em 30 por cento dos casos, sobretudo na fase final e no pós-parto. Há também causas traumáticas: uma operação ao intestino ou uma colonoscopia são suscetíveis de causar atrito local e facilitar o aparecimento da doença.


O mesmo com a obstipação e as fezes duras, devido ao aumento da pressão sobre as veias do reto no esforço de evacuar, e a diarreia, por via do aumento do número de idas à casa de banho. A cirrose hepática é outra causa. Estes pacientes sofrem de uma obstrução na circulação sanguínea a nível do fígado, e o sangue pode acabar por se acumular nas hemorroidas.

Quais são os sintomas?

O mais comum é o sangramento sem dor. As veias dilatam e rompem, soltando sangue na altura da evacuação. Por ser vermelho vivo e pintar toda a água da sanita, assusta as pessoas, embora geralmente não haja motivo para alarme. Alguns pacientes chegam a recear um cancro, mas as hemorroidas não evoluem para cancro. No avançar da doença, podem formar-se coágulos que incham, causando a chamada trombose hemorroidária. Estes trombos podem formar-se dentro do ânus e sair na evacuação, sendo sentidos ao limpar, ou formarem-se fora do canal anal. Comichão, prurido ou ardência, corrimento e dor são outros possíveis sintomas quando a doença evolui.

É um problema grave?

Apesar do desconforto, não é, à partida, grave. Setenta e cinco por cento das pessoas vai sofrer de doença hemorroidária alguma vez na vida e muitas vezes será passageiro, podendo nem precisar de tratamento. Os casos mais graves são os agudos, quando o sangue coagula, formando um trombo que vem para fora. Pode nem haver sangramento, mas a dor é intensa.

«Se o sangramento ocorre numa pessoa jovem, uma ou outra vez, com sangue vermelho-vivo, as fezes estão normais e não há outros sintomas, não há por que ir a correr ao médico. Elas podem passar por si»

São mais raros, mas podem acontecer de um dia para o outro, sem sintomas prévios. Nos casos crónicos, se a hemorragia for intensa, poderá haver anemia. Mas, de forma geral, só cinco ou dez por cento dos casos de doença hemorroidária acabam no médico.

Quando se deve então ir ao médico?

Se o sangramento ocorre numa pessoa jovem, uma ou outra vez, com sangue vermelho-vivo, as fezes estão normais e não há outros sintomas, não há por que ir a correr ao médico. Elas podem passar por si ou uma ida à farmácia pode bastar. Deve ir ao médico se tiver mais de 40 anos, porque é importante despistar outras doenças; ou se houver sintomas diferentes dos associados à doença hemorroidária, de forma a confirmar o diagnóstico; ou no caso de crise aguda com dor intensa, já que o tratamento precoce dos coágulos com prolapso diminuirá o período de convalescença.


Prevenir a doença hemorroidária

«Tudo o que contribui para melhorar o trânsito intestinal e evitar a obstipação ajuda a evitar o aparecimento da doença hemorroidária», refere José Pedro Azevedo, especialista em Proctologia, que recomenda:
1. «Beba muita água e faça uma dieta equilibrada e rica em fibras. Evite estar muito tempo de pé ou sentada.»
2. «Evite estar muito tempo sentada na sanita. Mesmo inconscientemente, está a solicitar o mecanismo de evacuação fazendo o chamado ‘evacuar em falso’. À medida que envelhecemos, a elasticidade dos tecidos diminui e o que antes recolhia começa a deixar de recolher.»
3. «Faça uma higiene adequada, usando o bidé para se lavar com água e sabão após cada evacuação ou, em alternativa, usando toalhetes húmidos (desde que não haja alergia a nenhum dos componentes).»
4. «No caso de obstipação, o uso de um banquinho para elevar os pés pode ajudar a fazer menos força na altura da evacuação.»
5. «Banhos de assento com água fria ajudam a aliviar o edema.»
6. «Evitar a pimenta e outros condimentos semelhantes que irritam a mucosa intestinal, assim como o álcool, pode ajudar.»

Última revisão: Fevereiro 2018

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