Hábitos que podem ajudar a prevenir o AVC

Existem fatores de risco que não podemos controlar, mas há outros que dependem das nossas escolhas e que podem ajudar a prevenir o AVC

Quando ocorre, partes do cérebro ficam danificadas e, consequentemente, as funções que essas zonas controlam são afetadas. Existem fatores de risco que não podemos controlar, mas há outros que dependem das nossas escolhas e que podem ajudar a prevenir o AVC.

  • PorCatarina Caldeira BaguinhoJornalista

  • ColaboraçãoDr. Pedro Marques da Silva Médico Especialista em Medicina Interna
  • Dra. Tereza PaulaAssistente hospitalar de Ginecologia-Obstetrícia

O acidente vascular cerebral (AVC) acontece quando o fornecimento de sangue a uma parte do cérebro é interrompido, levando a que as células cerebrais não recebam oxigénio, acabando por morrer. Todos corremos o risco de sofrer um AVC, independentemente da idade e da ausência de doenças que constituem um fator de risco acrescido, como a diabetes, a hipertensão ou a obesidade. Além destas, existem outros fatores que contribuem para o aumento do seu risco. São hábitos do dia a dia que quando modificados podem ajudar a prevenir o AVC.

Estratégias que ajudam a prevenir o AVC

– Não fumar

«Fumar aumenta duas a quatro vezes o risco de AVC», revela Pedro Marques da Silva, médico especialista em Medicina Interna da Fundação Portuguesa de Cardiologia. O tabaco está associado à formação de substâncias gordas na artéria carótida, cujo bloqueio pode causar AVC, explica o National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS). Além disso, fumar promove a formação de aneurismas e torna o sangue mais espesso, o que aumenta o risco de criação de coágulos; a nicotina aumenta a pressão arterial; e o monóxido de carbono reduz o oxigénio que o sangue transporta para o cérebro.

«Fumar aumenta duas a quatro vezes o risco de AVC»

«Parar de fumar está associado à rápida diminuição do risco de AVC para níveis próximos do não fumador», revela Pedro Marques da Silva à Revista Prevenir.

– Praticar exercício físico

A falta de atividade física pode «aumentar o risco de se ter a pressão arterial e níveis de colesterol elevados, diabetes, doenças cardiovasculares e AVC», evidencia a Stroke Association. Por isso, é importante praticar exercício. A National Stroke Association (NSA) refere um estudo que demonstrou que «pessoas que faziam exercício físico cinco ou mais vezes por semana tinham uma diminuição no risco de vir a ter um AVC». «Experimente fazer, no mínimo, 30 minutos de atividade física diária», aconselha a Stroke Association.

– Ingerir menos sal

«A ingestão excessiva de sal é responsável pelo aumento da mortalidade cardiovascular, sobretudo cerebrovascular», sendo, por isso, considerada um dos principais fatores de risco de AVC. Esta é uma das conclusões do Segundo Fórum do Sal, organizado pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH). Segundo Jorge Polónia, docente da Faculdade de Medicina do Porto, «uma descida de 3 g de sal ingerido por dia significa menos 2500 mortes anuais por AVC».


Substitua-o por ervas aromáticas, como alecrim, cebolinho, coentros, gengibre, hortelã ou orégãos, de modo a prevenir o AVC.

– Medir a tensão arterial

Sendo a hipertensão arterial (HTA) o principal fator de risco para o AVC, torna-se fundamental vigiar regularmente a pressão arterial (os valores devem ser inferiores a 90/140 mm Hg). Cumprir as recomendações indicadas pelo médico é também essencial. «O tratamento da HTA é, certamente, a estratégia mais efetiva na prevenção do AVC trombótico e hemorrágico, e está relacionado com uma redução do risco de mais de 30 por cento», revela Pedro Marques da Silva.

– Seguir uma dieta colorida

«Manter uma dieta equilibrada e variada, com restrição do sal e de gorduras totais e saturadas, e rica em frutas, vegetais e legumes», é importante para atenuar o risco e, assim prevenir o AVC, refere Pedro Marques da Silva. Coma, «pelo menos, cinco porções de frutas e vegetais por dia». Prefira carne magra à vermelha. Opte por alimentos ricos em fibra que ajudam a «controlar os níveis de gordura no sangue», como aveia, arroz, massa e pão integrais. E, fundamental, «não acrescente sal à comida e evite alimentos processados», aconselha a Associação AVC.

– Vigiar o peso

Ter peso a mais é um fator de risco para a hipertensão, doença coronária e diabetes, fatores que aumentam o risco de se vir a sofrer um AVC. Aliar uma alimentação saudável a um estilo de vida mais ativo é fundamental para a manutenção do peso.

Ter peso a mais é um fator de risco para a hipertensão, doença coronária e diabetes, fatores que aumentam o risco de se vir a sofrer um AVC

Um estudo desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard veio corroborar este facto: mulheres com peso 20 por cento acima do recomendado, ou que engordaram 20 kg desde os 18 anos, mais do que duplicam o risco de sofrer um AVC, em comparação com mulheres mais magras. Pese-se todas as semanas, sem roupa e depois de ir à casa de banho.

– Reduzir o álcool

Em excesso, favorece o aparecimento de «hipertensão arterial, fenómenos trombóticos, redução de fluxo sanguíneo cerebral e alterações do ritmo cardíaco (fibrilação auricular)», aponta o especialista em Medicina interna. «Os hábitos alcoólicos intensos são um fator de risco reconhecido de AVC», adianta. Por isso, modere o seu consumo. «Não mais do que duas bebidas por dia para os homens e uma para as mulheres», esclarece a NSA.

– Controlar o stresse

Elevados níveis de stresse prolongados no tempo favorecem a doença cardiovascular e o AVC. Um estudo realizado pela Universidade de Harvard concluiu que, nessas condições, o organismo tende a produzir glóbulos brancos em excesso, que se podem acumular nas paredes arteriais. Como resultado, o fluxo sanguíneo fica reduzido e podem formar-se coágulos que bloqueiam ou interrompem a circulação sanguínea. Para controlar os níveis de stresse, além da prática de exercício físico, a Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard aconselha:

  • Medite
    Respirar profundamente reduz os níveis de pressão arterial.
  • Reserve tempo só para si
    Evite verificar o email e desligue a televisão. Guarde 15 minutos do dia só para si.
  • Ria todos os dias
    Rir reduz os níveis da hormona do stresse (cortisol), baixando a inflamação nas artérias e aumentado o bom colesterol (HDL).

Pílula é um risco?

A toma de algumas pílulas está associada ao aumento do risco de AVC, devido a um dos seus constituintes: o estrogénio. Também presente na terapêutica hormonal na menopausa, esta hormona condiciona o «aumento das proteínas pró-coagulantes» e a diminuição da atividade anticoagulante do organismo. Tal favorece o «aumento do risco de trombos, fenómenos embólicos que estão na origem do AVC isquémico», explica Tereza Paula, assistente hospitalar de Ginecologia-Obstetrícia na Maternidade Alfredo da Costa. A especialista ressalva que o risco aumenta se existirem outros fatores associados, como peso excessivo e tabagismo.

O que fazer?

«Mulheres fumadoras com mais de 35 anos não devem tomar uma pílula com estrogénio», explica a especialista. Também quem tenha tido um AVC ou que sofra de alterações na coagulação do sangue (trombofilias) deve evitá-la, bem como a terapêutica hormonal na menopausa. Às mulheres cuja toma da pílula não está contraindicada, Tereza Paula recomenda o controlo do peso, a prática de exercício e adoção de uma dieta saudável, enquanto estratégias que permitem prevenir o AVC.

Última revisão: Março 2016

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