Cancro colorretal: aprenda a reduzir o risco

cancro colorretal

O cancro do cólon e do reto, ou colorretal, é, depois do cancro da mama, o segundo tipo de cancro mais diagnosticado entre as portuguesas, no entanto, mata mais homens do que mulheres. O motivo: a maior adesão do sexo feminino ao rastreio.

  • PorNazaré TochaJornalista

  • Colaboração e revisão científicaDr. Alexandre FerreiraMédico gastrenterologista

O cancro do cólon e do reto, ou colorretal, é, «depois do cancro da mama, o segundo tipo de cancro mais diagnosticado entre as portuguesas», começa por indicar Alexandre Ferreira, médico gastrenterologista e membro da direção da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG). Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que ainda assim morrem mais homens do que mulheres: em 2015, as mortes provocadas pelo cancro colorretal «representaram 3,5 por cento da mortalidade no país, observando-se um maior peso na mortalidade para os homens» (4,2 por cento do total de mortes) do que na das mulheres (2,8 por cento). Esta diferença dever-se-á ao facto de «as mulheres aderirem mais a rastreios que permitem reduzir/evitar a doença e reduzir o risco de morte associado», explica o especialista.

Reduzir o risco nas mulheres

O estudo Colorectal Cancer Screening and Prevention in Women, de 2011, indica a existência de vários fatores de risco «de especial importância entre as mulheres», nomeadamente a obesidade, o tabagismo e a existência de história pessoal de cancro ginecológico. Segundo esta fonte, «as mulheres podem potencialmente reduzir o risco de cancro do cólon deixando de fumar, fazendo exercício físico, emagrecendo (se têm excesso de peso ou são obesas), ingerindo quantidades adequadas de cálcio, de folatos (se os seus níveis basais forem baixos) e, eventualmente, em mulheres na pós-menopausa, através da terapia hormonal (estrogénio e progesterona).» As três últimas recomendações pressupõem, contudo, algumas salvaguardas.

A melhor estratégia: colonoscopia

Segundo Alexandre Ferreira, «ainda que haja evidência da existência de alterações nos níveis de folatos e de vitamina D, em caso de cancro do intestino, a toma de suplementos de cálcio ou de folatos não está indicada como estratégia de redução do risco deste tipo de cancro. Da mesma forma, a terapia hormonal não deve ser adotada por mulheres na pós-menopausa com o objetivo particular de redução do risco de cancro do colorretal, mas apenas se, após avaliação da relação entre riscos e benefícios para a sua saúde, tiver indicação para o fazer.

«O risco de se ter cancro colorretal aumenta significativamente a partir dos 50 anos, em ambos os sexos, pelo que o rastreio está indicado, a partir dessa idade, a todas as pessoas»

Ter cuidados ao nível do estilo de vida para prevenir o cancro colorretal é importante e pode significar uma redução do risco entre cinco e dez por cento, ao passo que a realização atempada da colonoscopia reduz o risco em mais de 50 por cento».

Porque reduz tanto o risco

As células anormais e os pólipos nos intestinos «demoram cerca de dez a 15 anos até se tornarem cancro colorretal», descreve a American Cancer Society (ACS). É neste intervalo que devemos atuar: «Com rastreios regulares, a maioria dos pólipos pode ser detetada e removida ainda antes de se transformarem em cancro. O rastreio também permite detetar o cancro numa fase precoce, numa fase em que ainda é altamente curável», reforça a ACS.

Quando fazer

«O risco de se ter cancro colorretal aumenta significativamente a partir dos 50 anos, em ambos os sexos, pelo que o rastreio está indicado, a partir dessa idade, a todas as pessoas. A colonoscopia é a forma de rastreio preferencial e deve ser realizada de dez em dez anos. Se houver fator de risco familiar, este exame deve ser feito mais cedo. Por exemplo, caso se tenha um familiar de primeiro grau que tenha tido cancro do cólon aos 45 anos, a colonoscopia deve ser feita dez anos antes, aos 35 anos, e deve ser repetida de cinco em cinco anos. Se pessoa já teve cancro ou histórico de pólipos, terá também períodos de vigilância específicos».


Sinais de alarme

De acordo com a associação Europacolon Portugal – Apoio ao Doente com Cancro Digestivo, os principais sintomas do cancro colorretal incluem:

  • Alteração persistente dos hábitos intestinais: prisão de ventre ou diarreia (ou alternância das duas) sem causa aparente ou fezes muito escuras;
  • Perda de sangue pelo ânus ou misturada nas fezes, sem irritação, dor ou prurido;
  • Sensação de que o intestino não esvazia completamente;
  • Dor forte ou desconforto abdominal sem explicação;
  • Cansaço ou perda de peso sem razão aparente.

Hábitos para ter um intestino saudável

Percorra a galeria de imagens e fique a conhecer cinco estratégias preventivas recomendadas pela American Cancer Society.

Mantenha o corpo em forma, sobretudo a barriga
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O excesso de peso aumenta o risco de cancro colorretal, sobretudo se se traduzir na concentração de gordura na zona abdominal.

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Ponha o seu coração a trabalhar
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«Aumentar o nível de atividade física diminui o risco de cancro colorretal e pólipos.»

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Ingira vegetais
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O consumo de vegetais e fruta beneficia a saúde intestinal. Faça uma dieta rica em fontes de fibra, sobretudo cereais integrais.

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Evite a carne vermelha e charcutaria
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Vários estudos encontraram uma ligação entre estes alimentos e o aumento de risco de cancro colorretal.

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Resista ao álcool e nem pense em fumar
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A ingestão de bebidas alcoólicas e o tabagismo estão associados a um aumento do risco deste e de outros tipos de cancro.

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Última revisão: Março 2018

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