Quem já esteve infetado pelo SARS-CoV-2 pode voltar a contrair o vírus

SARS-CoV-2: reinfeção vs. reativação

«A infeção por qualquer uma das cinco estirpes endémicas de coronavírus existentes conferem, na maior parte dos casos, proteção contra novas infeções pelos mesmos agentes», como explica António Vaz Carneiro, neste artigo.

  • PorProfessor Doutor António Vaz CarneiroMédico especialista em Medicina Interna, Nefrologia e Farmacologia Clínica, Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, diretor do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE), presidente do Conselho Científico do Instituto de Saúde Baseada na Evidência das Faculdades de Medicina e Farmácia da Universidade de Lisboa e diretor da Cochrane Portugal

A infeção por qualquer uma das cinco estirpes endémicas de coronavírus existentes conferem, na maior parte dos casos, proteção contra novas infeções pelos mesmos agentes. A imunidade dura, em regra, 1-2 anos, mas é variável de doente para doente e de região para região. Com o novo SARS-CoV-2 existem muitas questões não resolvidas, uma das quais está relacionada com a da taxa de reinfeções. Este é um problema ainda raro, já que, até meados de janeiro deste ano, tinham sido identificados apenas 31 casos de reinfeções no mundo inteiro, numa altura em que as infeções totais somavam dezenas de milhões de casos. É, no entanto, natural que as reinfeções sejam cada vez mais frequentes, conforme a pandemia se for progressivamente desenvolvendo.

Em regra, a imunidade ao coronavírus dura 1 a 2 anos, mas é variável de doente para doente e de região para região

Qual a gravidade da reinfeção?

Uma questão relevante na reinfeção está relacionada com a gravidade potencial que esta situação acarreta. Parece ser seguro afirmar que uma reinfeção cursará, em princípio, de modomais benigno que o episódio inicial, dadas as defesas imunológicas presentes em resposta à infeção inicial – quer a geração de anticorpos, quer a ativação de células T (BMJ 2021;372:n99, doi: 10.1136/bmj.n99). Uma outra questão clinicamente relevante é a da hipótese de a nova doença ser uma reativação (o vírus estava já no organismo e manifesta-se subitamente como doença) versus uma verdadeira reinfeção (uma estirpe infetante diferente da inicial). Dado que não se efetua por rotina uma sequenciação viral em doentes com COVID-19, é bastante difícil diferenciar entre reinfeção e reativação.

 

Em conclusão

A possibilidade de alguém se infetar duas (ou mais) vezes com o coronavírus é uma possibilidade real, mas constitui um evento muito raro e provavelmente bastante benigno, pelo que não nos deve (ainda) preocupar muito.


SARS-CoV-2: reinfeção vs. reativação

Até meados de janeiro de 2021, foram identificados 31 casos de reinfeção em todo o mundo e uma questão relevante passa por distinguir se as novas doenças se tratam de casos de reinfeção por SARS-CoV-2 ou de reativação do vírus.

  • Reinfeção
    Quando a estirpe infetante é diferente da inicial.
  • Reativação
    Quando o vírus já está no organismo e se manifesta, subitamente, como uma doença.
Última revisão: Abril 2021

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