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O que é seguro usar na gravidez

O que é seguro usar na gravidez

A probabilidade de os ingredientes presentes nos cosméticos que habitualmente utiliza penetrarem na pele e alcançarem a corrente sanguínea é ínfima. No entanto, quando está em risco a saúde do feto e o curso da gestação, os cuidados devem ser redobrados e há cosméticos que não deve usar na gravidez.

  • PorRita Alves e Vanda OliveiraJornalistas

  • ColaboraçãoDra. Leonor GirãoMédica dermatologista

«Por definição, um cosmético não pode ser lesivo para a pele. Não tem um efeito terapêutico nem função de modificar a estrutura da pele. Tem concentrações de ingredientes que são tolerados por todas as pessoas, grávidas ou não grávidas, homens ou mulheres», assegura Leonor Girão, médica dermatologista, em entrevista à Revista Prevenir. No entanto, nem tudo o que tem uma textura em creme é um cosmético – pode ser um fármaco de aplicação tópica. E numa altura tão delicada como esta, em que existe uma nova vida a formar-se dentro de si, é preciso ter cuidados especiais e, na dúvida, não usar nada que possa ser prejudicial.

Quais os perigos?

«A maior parte dos cosméticos não penetra na derme. Fica apenas à superfície da pele, não apresentando riscos», começa por explicar à Revista Prevenir Leonor Girão. O perigo apenas pode surgir, «em produtos que tenham uma absorção sistémica, isto é, que penetrem na derme alcançando os vasos sanguíneos presentes na pele. Uma vez na circulação sanguínea, podem alcançar a placenta, podendo provocar malformações no feto», avisa a médica dermatologista, ressalvando que o risco de tal acontecer através da utilização de um cosmético é ínfima: «Um cosmético tem uma concentração de ingredientes tão baixa que a probabilidade de atingir uma absorção sistémica lesiva para o feto é praticamente nula».

Um dos ingredientes antienvelhecimento mais usados na cosmética, o retinol, pode provocar malformações no feto

Bastante mais frequente é o desenvolvimento de alergias, pelo que, se costuma desenvolver reações alérgicas a determinados ingredientes presentes nos cosméticos utilize apenas o indispensável, preferindo fórmulas para pele sensível. «Essas reações não prejudicam o feto, no entanto, provocam alterações do estado imunitário da mãe que não são desejáveis», explica.

Antirrugas: evite usar na gravidez

Um dos ingredientes antienvelhecimento mais usados na cosmética, o retinol, «é considerado teratogénico, isto é, pode provocar malformações no feto», afirma Leonor Girão. Trata-se de «um derivado da vitamina A e está presente na cosmética podendo encontrar-se sob outras designações como retinaldeído ou tretinoína», informa a dermatologista, ressalvando: «Sabemos que estes ingredientes têm risco em concentrações altas, quando tomados, por exemplo, em comprimidos com concentrações de 10, 20, 30 mg. Ora, um cosmético possui talvez 0,5 mg de retinol.


No entanto, apesar de a concentração ser bastante baixa e de a possibilidade de atingir a corrente sanguínea, em concentrações que sejam lesivas para o bebé, ser extraordinariamente remota, por uma questão de precaução, não deve usar na gravidez».

Os melhores protetores solares

A maior parte dos protetores solares para adultos incluem filtros químicos. «Apesar de a absorção destes químicos ser reduzida, os filtros solares mais recentes contêm nanopartículas que são absorvidas pela pele, tendo sido já detetadas na corrente sanguínea, ainda que em concentrações baixas», refere Leonor Girão à Revista Prevenir. Por uma questão de segurança, a médica dermatologista recomenda: «Opte por protetores solares com filtros físicos (minerais)». Este tipo de filtros está presente em protetores solares indicados para pele sensível, ou intolerante ou para bebés.

Cabelo: faça uma pausa no tratamento

«Alguns produtos para fortalecer o cabelo têm substâncias como a serenoa repens ou derivados das isoflavonas que têm uma ação sinérgica ou mimética das hormonas e, portanto, não se devem usar na gravidez», avisa a médica dermatologista. Estas substâncias estão presentes em quantidades superiores «nos suplementos para o cabelo e unhas, mas existem também em loções», adverte. No caso das colorações capilares, «é seguro usar na gravidez desde que tome algumas preocupações: escolha tintas de marcas europeias com certificação CE que já tenha utilizado e que não lhe tenham causado nenhuma reação alérgica. Se nunca pintou o cabelo, não o faça nesta fase, pois pode desencadear uma reação que não é desejável», recomenda.

Anticelulíticos: só depois

Por serem considerados supérfluos nesta fase, muitos dos cosméticos existentes não são testados em grávidas. «Para se poder afirmar que um produto é seguro usar na gravidez, a fórmula tem de ser testada, em diferentes concentrações, em animais grávidos verificando-se se foi absorvida pela pele, se entrou na corrente sanguínea e se provocou alguma malformação e depois daí extrapolar para os humanos.

«Há muitos produtos que não se aconselham nesta fase, simplesmente porque não foram testados, embora os seus ingredientes, isoladamente, não sejam contraindicados na gravidez»

Obviamente que tudo isto implica custos elevados. Ora, se o produto não for indispensável na gravidez e as grávidas não forem o seu target, as marcas não investem nestes estudos. Há, assim, muitos produtos que não se aconselham nesta fase, simplesmente porque não foram testados, embora os seus ingredientes, isoladamente, não sejam contraindicados na gravidez», explica Leonor Girão, dando o exemplo dos produtos anticelulíticos. «Não sendo um produto indispensável, não deve usar na gravidez», aconselha.


Essenciais de hidratação

Durante a gestação, aquilo que a sua pele mais precisa é de hidratação. Eis os fundamentais a usar na gravidez:

  1. Hidratante de corpo Prefira fórmulas simples, exclusivamente hidratantes. Evite usar produtos anticelulíticos ou refirmantes.
  2. Hidratante de rosto Os cremes sem perfume indicados para pele intolerante ou sensível são uma boa opção.
  3. Creme antiestrias As fórmulas indicadas para a grávida são seguras.
Última revisão: Março 2018

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