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11 verdades que ninguém conta sobre gravidez e parto

11 verdades que ninguém conta sobre gravidez e parto

Está grávida e toda a gente à sua volta tem algo para contar ou um conselho para dar. Ainda assim, acredite, há muita coisa que fica por dizer sobre a gravidez e o parto.

  • PorPaula BarrosoJornalista

  • ColaboraçãoDr. Alexandre LourençoMédico ginecologista obstetra
  • Dra. Tereza Paula GomesMédica ginecologista obstetra

Assim que recebe a confirmação da gravidez, a sua vida muda. A partir desse momento, ao tomar qualquer decisão – seja carregar, ou não, os sacos das compras, ou escolher o que vai querer para o jantar – irá, inevitavelmente, pensar no que será melhor para o seu bebé. Em cada situação não lhe faltarão conselhos. Primeiro, dos familiares e amigos mais próximos e, com o avançar da gestação (e do tamanho da barriga), também por parte de pessoas com quem se cruza na rua. É a “magia” da gravidez. Apesar disso, os aspetos menos positivos da gestação, do parto e do pós-parto, muitas vezes, não são referidos e poderá interrogar-se: «porque é que ninguém me avisou?». Não é por mal. Talvez não queiram assustá-la ou talvez porque quem já passou pela experiência (ou esteja ainda a viver noites mal dormidas) tenha a certeza de que ter um filho compensa tudo. Nós pensamos o mesmo, com uma diferença: saber o que se poderá vir a passar ajudá-la-á a estar ainda mais bem preparada, sem medos e dramas ou situações inesperadas.

1. Vai comprar coisas que nunca irá usar

«O marketing à volta do bebé é enorme e o melhor é não comprar tudo antes do nascimento e ir vendo o que é, de facto, necessário», aconselha Tereza Paula Gomes, assistente hospitalar de Ginecologia-Obstetrícia da Maternidade Dr. Alfredo da Costa.

«A sua atenção vai ficar mais focada nas necessidades do bebé e menos nas suas ou no que a rodeia. Mas vai ver que não se esquecerá daquilo que é importante»

Alexandre Lourenço, consultor em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital de Santa Maria, dá um exemplo: «No que toca à roupa do bebé, é importante perceber que um recém-nascido com quatro quilos veste o mesmo tamanho que um bebé que nasceu com dois quilos e meio vestirá aos dois meses».

2. Vai transpirar mais

«As alterações hormonais e o ritmo de vida elevam a temperatura basal. Por isso, pode precisar de menos roupa quando está grávida, em especial nas últimas semanas e, em particular, se aumentar excessivamente de peso. Vai notar mais à noite porque está tapada e menos atarefada», refere Alexandre Lourenço.

3. O raciocínio fica mais lento e a memória mais fraca

«Por si só, a gravidez não leva a alterações cognitivas ou ao nível da memória. Mas se tiver dificuldade em dormir, é natural que fique mais ‘lenta’ e cansada», diz Tereza Paula Gomes. Além disso, após o nascimento, acrescenta Alexandre Lourenço, «a sua atenção vai ficar mais focada nas necessidades do bebé e menos nas suas ou no que a rodeia. Mas vai ver que não se esquecerá daquilo que é importante».

4. O toque é doloroso

Realizado no final da gravidez, consiste num descolamento intencional das membranas amnióticas. O médico pode optar por fazê-lo por volta da 39ª ou da 40ª semana, «em mulheres que chegam ao fim da gravidez e têm um colo do útero a que chamamos ‘verde’, ou seja, rijo, muito fechado e com uma probabilidade de virem a entrar em trabalho de parto muito reduzida», explica Tereza Paula. «É uma prática não farmacológica para ajudar o útero a contrair e a acelerar todo o processo. Na maioria das vezes é doloroso, mas não é obrigatório», conclui.

5. No final da gravidez, dormir pode ser uma “missão impossível”

Isto acontece «por causa do volume do abdómen, que não a deixa ficar muito tempo na mesma posição, sendo algumas posições quase proibidas», diz Alexandre Lourenço. «Mas depois do nascimento ainda poderá ser pior, porque terá de partilhar as horas com o seu bebé e ele nunca vai querer dormir quando você tiver sono…», refere. Uma dica: no final da gravidez, durma de lado com uma almofada entre os joelhos.

6. É mais fácil ter o bebé sentada

É um facto que «tem a ver com a nossa anatomia e fisiologia: é mais fácil fazer força se estivermos de pé ou de cócoras», afirma Tereza Paula. No entanto, em algumas mulheres, «o parto sentado pode ser contraproducente e prejudicar algumas situações osteoarticulares», adverte Alexandre Lourenço que refere: «Se, por um lado, as posições que favorecem o relaxamento do períneo e o fortalecimento da ajuda abdominal às contrações são benéficas, por outro, o conforto e o controlo que a grávida tem do corpo na altura do parto são mais relevantes e determinantes».

7. Amamentar pode doer

«E muito!», diz Tereza Paula, «principalmente no início, quando há uma distensão muito grande da mama que, por si só, é dolorosa. Além de que, no início, a quantidade de leite produzida é maior do que a que é escoada pelo bebé. Por isso, a mama deve ser completamente esvaziada, quer manualmente, através de massagens com a ajuda da água quente do banho, quer com recurso a bombas».

«A ideia de que um filho pode salvar um casamento é a maior mentira que se pode dizer a alguém. Os casamentos que resistem ao nascimento dos filhos são relações que tendem a durar»

Alexandre Lourenço acrescenta: «Inicialmente, o mamilo também é mais sensível, podendo abrir fissuras ou gretar. Nestas situações, a utilização de cremes protetores ou regeneradores é essencial. Mamas túrgidas e mamilos lesados podem favorecer o aparecimento de mastites infecciosas e, neste caso, a observação médica e o eventual tratamento com anti-inflamatórios ou antibióticos pode ser aconselhado».

8. As visitas em casa podem ser saturantes

«Especialmente nos primeiros 15 dias após o parto, altura em que ainda está muito cansada, a dormir muito menos do que necessita e eventualmente com feridas operatórias que a impedem de se sentar ou de andar muito, pode sofrer de ligeira depressão pós-parto. No primeiro fim de semana, receba apenas os parentes mais chegados e em dois horários diferentes, tentando não juntar mais de três pessoas», aconselha Alexandre Lourenço. Tereza Paula sublinha que as visitas não são só cansativas para a recém-mamã: «O bebé acabou de chegar a este mundo, vindo de um ambiente escuro e protegido dos sons, por isso é natural que queira calma, em vez de andar de mão em mão».

9. O amor ao filho pode não ser imediato

É frequente ouvirmos falar de um laço afetivo imediato entre mãe e bebé, assim como do amor incondicional por um filho, mas nem tudo é branco ou preto. «Fala-se disso, mas se calhar isso é apenas aquilo que é suposto acontecer. Há muitas coisas que se dizem que são puro preconceito», afirma a especialista. «O facto de uma mulher não sentir imediatamente um laço com o bebé pode estar relacionado com o babyblues, por exemplo, em que há um certo desinteresse em relação a tudo e até ao próprio bebé», conclui.

10. Um filho é um teste ao casamento

Com a chegada do bebé, chegam os sorrisinhos, as perninhas rechonchudas que brilham no banho, mas também as responsabilidades, o cansaço, a falta de paciência, a rotina. «O nascimento de um filho é sempre uma crise no casal», afirma Tereza Paula. E esclarece: «Crise no sentido em que é um fator externo que vem desestabilizar o casal. A ideia de que um filho pode salvar um casamento é a maior mentira que se pode dizer a alguém. Os casamentos que resistem ao nascimento dos filhos são relações que tendem a durar».

11. A líbido vai “adormecer”

No meio de tanta coisa, é possível que o casal se ressinta neste aspeto, mas essa é uma situação que devem combater, alerta a especialista: «É importante esforçarem-se por regressar à intimidade, mesmo que nem sempre sintam muita vontade, principalmente a mulher, que está mais cansada. A certa altura, pode ficar praticamente assexuada, com o pensamento focado no filho, portanto, é preciso ter consciência disso. Lembrar-se de que, para além de mãe, continua a ser mulher.»


“É normal sentir-me triste?”

Numa altura em que é suposto a mulher sentir uma felicidade plena, algumas recém-mães podem não se sentir assim tão eufóricas. As alterações hormonais que decorrem do parto, o corpo, que não vai imediatamente ao lugar, a falta de sono e a fadiga podem traduzir-se num estado (não de graça) apelidado de babyblues. «Choro fácil, irritabilidade e falta de apetite são os sintomas mais comuns e podem durar até cerca de duas semanas após o parto. É normal», esclarece Tereza Paula. Em casos mais extremos e raros, a situação pode, contudo, prolongar-se e agravar-se: «Fundamentalmente, em mulheres com um historial depressivo, a mãe pode desenvolver o desinteresse por tudo, mesmo no que toca aos cuidados do bebé e falta de pulsão de viver. Neste caso, terá de ser tratada por um psiquiatra, que pode inclusive medicar».


Gravidez e parto: O que dizem as mães

Porque os partos não são todos iguais, a opinião das mães também não é. Depende da experiência.

Cesariana ou parto natural?

  • Cesariana. «Tranquilizou-me o facto de ir para o parto com data e hora marcada ou ter a minha médica a acompanhar-me e de não sofrer com dores repentinas e inesperadas.»
    Andreia, 32 anos
  • Parto natural. «Em relação à minha irmã, que fez cesariana, eu recuperei muito mais rapidamente do parto natural e sentia-me capaz de cuidar do meu bebé logo após o nascimento.» Maria, 39 anos

Com ou sem epidural?

  • Com epidural. «Levei três doses de epidural. Foi a melhor coisa que podiam ter inventado!»
    Vera, 35 anos
  • Sem epidural. «Eu receava tanto o parto como a própria epidural. Felizmente, fiz a dilatação muito rapidamente e não precisei da anestesia. O desconforto foi muito inferior ao que eu imaginei.»
    Marisa, 28 anos

Recuperação pós-parto

  • Foi fácil. «Com o bebé nunca paramos. Ao fim de um ano já tinha recuperado o peso e, hoje, gosto mais do meu corpo do que antes de ter sido mãe.»
    Joana, 34 anos
  • Foi difícil. «O meu filho já tem dois anos e eu ainda estou a tentar voltar aos meus 60 kg de antigamente. Talvez nunca mais os venha a recuperar.»
    Rita, 35 anos
Última revisão: Março 2014

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