Recupere a satisfação sexual

O que fazer para apimentar uma relação de vários anos, recuperando a satisfação sexual

Os estudos comprovam-no e os especialistas confirmam-no: a satisfação sexual tende a diminuir à medida que uma relação avança no tempo. Mas é possível reinventá-la.

  • PorSofia Santos CardosoJornalista

  • ColaboraçãoDr. Fernando MesquitaSexólogo e terapeuta sexual
  • Dra. Maria Joana AlmeidaSexóloga

Os níveis de satisfação sexual decaem significativamente depois de um casal completar seis meses de relação, refere um estudo norte-americano, realizado na Universidade de Chapman. De acordo com a investigação, 83 por cento das pessoas relatam estar satisfeitas sexualmente na sua relação, nos primeiros 6 meses. Mas a partir daí, quase metade delas se mostra insatisfeita com a sua vida sexual. Cerca de 40 por cento dos inquiridos do sexo masculino estavam insatisfeitos, ao fim de seis meses, face a 27 por cento de mulheres que também se queixaram da qualidade dos momentos mais íntimos, em menos de um ano de relação.

Os motivos da insatisfação sexual

«Pode parecer cliché, mas é mesmo verdade que a falta de diálogo, a acomodação, os desencontros da vontade sexual e a vergonha de mostrar quando se quer fazer amor, esperando que seja o outro a ter a iniciativa, são as principais causas para a monotonia sexual nos casais», conta Fernando Mesquita, sexólogo e terapeuta sexual, à Revista Prevenir.

«Os casais felizes são aqueles que têm a capacidade de enfrentar as dificuldades e as diferenças, falando sobre aquilo que os incomoda, sem julgamentos desnecessários»

Maria Joana Almeida, sexóloga, acrescenta outros fatores que contribuem para o esmorecer da satisfação sexual: «Problemas de saúde ou emocionais, questões inerentes à evolução da própria relação, mas também razões contextuais ou sociais, como uma perda de emprego ou uma mudança nas condições financeiras familiares».

Como (re)agir?

Comunicar será sempre o passo a dar, após a perceção de que a relação íntima a dois já não é como era. De acordo com Fernando Mesquita, «a comunicação é muito importante para que o casal não “caia” na monotonia», mas será preciso saber abordar o tema. «Comunicar não significa falar com o parceiro sobre o estado do tempo ou sobre a vida do vizinho. É fundamental que o casal aborde a sua realidade, incluindo as necessidades de cada um, os seus desejos e/ou divergências que possam existir», concretiza. Segundo o terapeuta sexual, «ignorar ou rejeitar o problema só irá criar uma ilusão efémera de “tréguas” no casal. Os casais felizes são aqueles que têm a capacidade de enfrentar as dificuldades e as diferenças, falando sobre aquilo que os incomoda, sem julgamentos desnecessários».

Como abordar o tema?

«É importante que o elemento do casal que se sente insatisfeito com a vida sexual não se sinta constrangido por transmitir, ao outro, as suas necessidades, sentimentos, opiniões e desejos. Mas essa insatisfação deve ser partilhada de forma positiva e construtiva. É importante que haja previamente uma reflexão sobre os motivos que podem estar na sua origem. E que, depois, ocorra uma conversa honesta com o parceiro para que, juntos, possam identificar as causas, mas também soluções que agradem a ambos», recomenda Maria Joana Almeida, sexóloga.


Segundo a especialista, essa conversa deve ser isenta de ataques ou acusações, evitando-se recorrer a afirmações como “sempre” e “nunca”. O tom da conversa deve ser marcado pelo respeito, abertura e sinceridade, e assentar na escolha das palavras certas, sublinha a especialista. «Falar sobre intimidade e sexualidade não é diferente de abordar outras questões sensíveis para as quais nos  preparamos. Podemos comunicar de forma eficaz, mostrando sentimentos e dizendo que comportamentos gostaríamos de ter em conjunto e como gostaríamos de ver a relação crescer e evoluir».

“Reacender” o desejo

Cada casal é único e não existe uma receita universal para reavivar a satisfação sexual. Mas existem estratégias frequentemente recomendadas pelos sexólogos: namorar, namorar, namorar, relembrar a história da relação, nomeadamente os motivos pelos quais se apaixonaram, e criar novas experiências a partir daí. Usar a comunicação verbal e não verbal para se encontrarem e criarem momentos de intimidade sem desfechos predefinidos. Ou seja, estar juntos fisicamente sem que haja relações sexuais penetrativas são alguns passos que podem ajudar.

Existem estratégias frequentemente recomendadas pelos sexólogos: namorar, namorar, namorar, relembrar a história da relação, nomeadamente os motivos pelos quais se apaixonaram, e criar novas experiências a partir daí

No livro Aprender a A.M.A.R (Edições Chá das Cinco), Fernando Mesquita descreve os «casais em modo “CC” ou em “cativação contínua”, casais que nunca dão por terminado o período de cativação, pois reconhecem que são meros aprendizes daquilo que o outro tem para lhes ensinar».

Quando procurar ajuda especializada?

Para recuperar o desejo perdido nas relações de longa duração (porque sim, é possível), os especialistas recomendam procurar um sexólogo atempadamente, assim que um dos parceiros comece a sentir os primeiros sinais de insatisfação. «Muitos casais veem a psicoterapia como a “última oportunidade” para salvarem a sua relação. Mas é muito importante que o casal não deixe chegar a relação a um ponto sem retorno», alerta o especialista. A sexóloga Maria Joana Almeida também recomenda a consulta de sexologia para «desbloquear situações, impasses e mediar conflitos. Quando um casal sente que não sabe por onde começar, pode ser um bom primeiro passo falar com um terapeuta (de casal ou sexual) que ajude a olhar para a vida de casal com outros olhos e a pintar o quadro com novas cores».


Estratégias para aumentar a satisfação sexual

Fernando Mesquita, sexólogo e terapeuta sexual, indica-lhe o que pode fazer para recuperar a satisfação sexual dentro e fora do quarto.

– Fora do quarto

Cativação Mútua
«Está comprovado que a partilha de momentos excitantes ajuda a aumentar a sensação de união no casal», sublinha Fernando Mesquita.

  • Como fazer
    Procurem cativar-se mutuamente, todos os dias. «Pode ser algo tão simples como beijar a/o parceira/o, onde nunca o fizeram (no pescoço, nos joelhos, etc.), enviar uma SMS a dizer “penso em ti!”. Ler-lhe um livro, levá-lo/a a passear num jardim de mãos dadas, darem um passeio de bicicleta, etc. Ou pode ser algo mais elaborado, como, por exemplo, preparar um jantar romântico, usar uma lingerie sexy, oferecer uma viagem, saltarem de paraquedas ou parapente, fazerem snorkeling, andarem na montanha-russa, etc.», exemplifica Fernando Mesquita.

– Dentro do quarto

Massagem Erótica
«Em muitos casais em que há um afastamento na intimidade, é importante criar um processo de conexão física ou reconexão com o/a parceiro/a de uma forma não sexual e não ameaçadora», explica Fernando Mesquita.

  • Duração
    «Reservem cerca de uma hora e escolham um local confortável. Quem recebe a massagem deverá ficar os primeiros 15 minutos de barriga virada para baixo e mudar de posição nos 15 minutos seguintes. Ao fim de 30 minutos, o casal deve trocar os papéis e repetir o processo.»
  • Roupa
    «Deverão usar pouca roupa durante o exercício, mas a suficiente para se sentirem confortáveis.»
  • Regras
    «Como o que se pretende é que este seja um momento de partilha de intimidade, e não meramente sexual, está proibida qualquer interação sexual antes, durante ou logo após o exercício.» A pessoa que recebe a massagem diz ao “massagista” em que partes do corpo quer ser massajado/a (sugerimos começar pela a cabeça, mãos ou pés, ou costas). Em vez de verbalizar onde quer ser tocado/a, a pessoa que recebe a massagem pode pegar na mão do “massagista” e ir dando indicações onde deseja ser tocada/o.
  • No final do exercício…
    É importante que o casal fale sobre o que acabou de experienciar.
Última revisão: Outubro 2016

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