Problemas com sogros intrometidos?

Sogros intrometidos, amigos, filhos... são várias as pessoas que podem interferir na relação de um casal. Saiba como agir sem pôr em causa a sua relação.

Podem influenciar de forma positiva a relação de um casal, mas também podem miná-la. Além de sogros intrometidos, existem outras pessoas que são aceites no seio da relação e que também podem afetar de forma negativa a sua qualidade.

  • PorSofia Santos Cardoso

  • ColaboraçãoDra. Margarida VieitezTerapeuta de casal e mediadora familiar
  • Dra. Paula MarquesPsicóloga clínica

Aos olhos da Psicologia, o casal é visto como uma entidade dinâmica e complexa, que está em permanente mudança. Embora a palavra “casal” traduza uma relação entre dois elementos apenas, estes não são seres isolados do mundo. Ambos os membros do casal são constantemente influenciados pela realidade que os rodeia… E as considerações e as expectativas dos outros, principalmente quando se trata de pessoas próximas e relevantes, não são exceção.

Sogros intrometidos são das queixas mais comum de uma das partes do casal, mas também amigos, pais, filhos e até o chefe podem potenciar conflitos ou “roubar” disponibilidade para a relação a dois. Com a ajuda de duas psicólogas, identificámos as pessoas que mais comummente interferem na vida a dois e ensinamo-lo a gerir a influência de cada uma.

Pais e sogros intrometidos

«É inevitável que tenham influência uma vez que são a grande referência na vida de um dos elementos do casal», refere Margarida Vieitez, terapeuta de casal, mediadora familiar e autora de vários livros na área das relações. «Exercem influência seja de uma forma indireta e mais subtil, com as vivências familiares que já existiam antes da formação do casal, seja de uma forma mais direta, através de crenças e expectativas, de cariz mais positivo ou negativo, que são dirigidas ao cônjuge do filho/a», refere Paula Marques, psicóloga clínica com especialização em Igualdade de Género, em entrevista à Revista Prevenir.

A confluência das rotinas e dos valores das famílias de origem de cada um pode também representar um enorme desafio quer para o crescimento do casal, quer para a maturidade psicológica individual, e nem todos os casais podem estar preparados para esta realidade. De acordo com a psicóloga, «quanto mais similitude houver nos valores e nas rotinas das famílias de origem, mais fácil será a integração normativa da influência dos ascendentes familiares».

  • Como interferem
    Os pais podem influenciar de forma muito positiva a relação dos filhos, «mantendo-se emocional e afetuosamente disponíveis. Quanto aos sogros intrometidos, são mais elas, as sogras, que tendem a influenciar a relação do casal, nomeadamente dando opiniões, mas também controlando e até manipulando», refere Margarida Vieitez. A interferência dos sogros também pode ser saudável, «se estes respeitarem o espaço do casal e se estiverem disponíveis para apoiarem quando necessário. Ao serem empáticos e compreensivos, os sogros poderão influenciar de forma muito positiva a relação e até melhorá-la», frisa.

«São mais elas, as sogras, que tendem a influenciar a relação do casal, nomeadamente dando opiniões, mas também controlando e até manipulando»

  • Como gerir esta influência
    Conversar é a solução. «Cabe a cada casal definir que influência permitem que tenham, o que pressupõe conversarem abertamente sobre o assunto num registo de escuta ativa e compreensão recíprocas», recomenda Margarida Vieitez. Se um dos membros do casal se sentir incomodado com uns sogros intrometidos, «deve conversar abertamente com o companheiro sobre o assunto, num registo assertivo e sempre dizendo o que sente sem culpar e sem criticar», aconselha. Perante intromissões mais abusivas, «o filho poderá conversar com o pai ou com a mãe, explicando-lhes que as referidas intromissões não consentidas não o fazem sentir bem e pedindo-lhes para alterarem o seu comportamento, respeitando a sua individualidade, autonomia, espaço e tempo».
  • Evite
    «Pressionar o companheiro a escolher entre a mãe ou o pai e o companheiro, negar que não se passa nada, pois isso apenas criará afastamento entre o casal», alerta. «Cabe a cada casal definir o grau da influência dos pais e/ou dos sogros, o que pressupõe uma conversa aberta entre os dois membros do casal, num registo de escuta ativa e compreensão recíprocas», indica a especialista.

Os amigos

Segundo Paula Marques o principal desafio de um casal face ao papel dos amigos passa pela integração destes no espaço social e emocional do casal. «Quando os amigos mais próximos são comuns, podem surgir desafios relacionados com a necessidade de um espaço social e emocional diferente do espaço conjugal. Por outro lado, quando os amigos não são comuns, há desafios relacionados com a entrada de novos elementos na dinâmica social, o que põe à prova sentimentos de confiabilidade», alerta a especialista.

  • Como interferem
    Margarida Vieitez chama à atenção para o cariz das amizades envolvidas. Na sua opinião, os amigos podem afetar positiva ou negativamente a vida do casal, consoante sejam verdadeiros amigos ou não. «Há casais que optam por ter a sua vida social independente e outros que preferem a integração dos amigos de ambos na dinâmica conjugal», afirma. Independentemente da escolha feita, «se forem bons amigos certamente terão uma influência muito benéfica. Se forem muito intrusivos e não respeitarem a individualidade, a opinião, o espaço e o tempo do casal, poderão influenciar a estabilidade do casal, se este não colocar limites, e conduzir a conflitos e discussões», alerta a especialista.

  • Como gerir esta influência
    Margarida Vieitez aconselha os dois elementos do casal a conversarem abertamente sobre o assunto, expressando o que sentem relativamente às amizades de cada um e às que têm em comum.
  •  Evite
    Afastar-se dos amigos. «O contacto com amigos é importante para a existência de um espaço relacional além da relação conjugal», refere Paula Marques. «Quer os amigos em comum quer os amigos de cada um são muito importantes na vida de um casal e podem influenciar a relação de forma muito positiva», sublinha Margarida Vieitez.

Influência do filho

Com o nascimento deste terceiro elemento, a capacidade de confluência do casal é posta à prova. «Educar uma criança implica novas rotinas, novas responsabilidades e a capacidade constante de dialogar», refere Paula Marques.

Irritação, cansaço e conflitos repetidos são alguns sinais comuns que indicam que os filhos estão a interferir negativamente na relação, mas o diálogo entre o casal e a partilha de tarefas podem fazer milagres

  • Como interfere
    «A vida do casal transforma-se completamente. Os ritmos e as rotinas passam a girar à volta das necessidades do bebé e o tempo a dois torna-se escasso e chega mesmo a desaparecer, principalmente, nos primeiros meses após o nascimento», refere Margarida Vieitez. Contudo, se, por um lado, as relações pouco saudáveis podem não resistir aos desafios impostos pela chegada de um filho, em relações fortes, «os filhos podem ajudar a fortalecer uma relação, criando maior proximidade e cumplicidade entre os pais», revela.
  • Como gerir esta influência
    Irritação, cansaço e conflitos repetidos são alguns sinais comuns que indicam que os filhos estão a interferir negativamente na relação, mas o diálogo entre o casal e a partilha de tarefas podem fazer milagres. Além disso, «garantir tempo para os dois também é fundamental para que a relação resista», frisa Margarida Vieitez.

O chefe

«A forma como cada um lida com a dimensão profissional é determinante para o tempo que o casal passa em conjunto. Se, para uns, ter um horário flexível, de forma a conjugar-se com os do parceiro é algo natural, para outros, a necessidade de se sentirem realizados profissionalmente leva a que o trabalho seja colocado em primeiro plano», refere Paula Marques.

  • A sua influência
    Margarida Vieitez alerta para a influência do estado emocional do chefe que, em alguns casos, pode não ser o mais saudável, acabando por contagiar o estado emocional do colaborador e, por sua vez, a relação. «Vários estudos comprovam que as emoções se contagiam. Assim, chefes negativos, cronicamente insatisfeitos, angustiados, depressivos e ansiosos podem contagiar os seus colaboradores com as suas emoções e fazer com que se sintam de igual forma. Tal como chefes autoritários, prepotentes, conflituosos e que não respeitam o outro também detêm o poder de influenciar o equilíbrio emocional e psicológico de quem com eles trabalha».
  •  O que fazer
    Se um dos elementos do casal se está a sentir pressionado pelo chefe, Margarida Vieitez aconselha a tentar perceber a verdadeira origem desta pressão. «É fundamental esclarecer se é, efetivamente, o chefe que está a exercer essa pressão ou se é a própria pessoa que está a exigir de si mesma mais do que os seus próprios limites, na tentativa de agradar o chefe». Conversar com o chefe também pode ajudar. «Esta conversa deverá ocorrer num registo informativo e não culpabilizante, dando-lhe conhecimento sobre a forma como se sente», sugere.
Última revisão: Novembro 2016

artigos recomendados

Previous Next
Close
Test Caption
Test Description goes like this