O efeito lua-de-mel

efeito lua-de-mel

A sensação de preenchimento e felicidade que sentimos quando estamos apaixonados (o efeito lua-de-mel) pode ser vivida diariamente e não apenas numa relação amorosa. É uma questão de darmos prioridade às «boas energias», defende Bruce Lipton, biólogo celular.

  • PorCarlos Eugénio Augusto Jornalista

  • Entrevista aBruce LiptonBiólogo celular 

Resultado de um compromisso entre ciência, espiritualidade, trajeto pessoal e sentido de harmonia face à Natureza, O Efeito Lua-de-mel (Sinais de Fogo) é um livro marcado por um profundo otimismo. O autor, Bruce Lipton, biólogo celular, considerado um guru do coaching, esteve em Portugal para participar como orador do seminário Resiliência e Paixão: Vencer num Tempo de Crise.

«Se pensarmos que o mundo é lindo, então é lindo»

Em entrevista à Revista Prevenir, Lipton explicou a matriz da sua teoria, sublinhando a importância de tomarmos decisões «baseadas no que sentimos», de estarmos atentos às «energias» que percecionamos e de reprogramarmos o subconsciente em relação à forma como olhamos o mundo. Só assim, defende, seremos capazes de nos sentirmos sob o efeito lua-de-mel, «um estado de felicidade, paixão, energia e saúde», em que a vida é doce e feita de harmonia.

Qual é o primeiro passo para nos sentirmos em harmonia?

Ter a noção que criamos o mundo na nossa mente. Se pensarmos que o mundo é lindo, então é lindo. O passo seguinte é entender a mente como uma dupla entidade que trabalha, em simultâneo, o consciente e o subconsciente, unidades com funções distintas e métodos de aprendizagem que trabalham de forma diferente. Os evolucionistas acreditam que é no consciente que reside a nossa essência criativa, racional, inteligente, que permite exprimir e sentir desejo.

O subconsciente funciona como uma máquina com “programas” cuja ativação depende da vontade. Está num constante “agora” e resulta de uma programação de hábitos que dará sempre a mesma resposta. São programas que surgem da experiência: o subconsciente transforma a prática em hábito. A sua reprogramação não é criativa e pode ser feita de várias formas.

Como?

A forma mais natural acontece até aos sete anos de vida, quando o cérebro trabalha com baixas frequências, semelhantes às da hipnose, e é movido pela imaginação. Outra forma de programar o subconsciente é através de gravações subliminares, ouvidas durante o sono. Ainda assim, não basta gravar que queremos mudar para que isso aconteça, pois o consciente entende a ideia mas o subconsciente mantém-se igual e isso gera frustração.

«Devemos confiar nos sentidos e estar atentos se ganhamos ou perdemos energia, se as vibrações são boas ou não, se existe harmonia»

Depois dos sete anos, programar o subconsciente resulta da criação de um hábito, da repetição. Também podemos fazê-lo por via da energia psíquica, mas os psicólogos convencionais tendem a questioná-la. É uma forma de ultra aprendizagem que reprograma o subconsciente e pode mudar a vida em minutos. Existe ainda uma quarta via: o choque.

Refere no seu livro que para criar o Efeito Lua-de-mel temos de usar a capacidade de sentir boas e más vibrações. Há estudos sobre este tópico?

Esta questão é abordada pela Física Quântica, embora muitos a considerem um tema típico do movimento New Age. O universo é feito de matéria e energia. Para os físicos, apenas o que é físico afeta o corpo (por isso a medicina tem por base os fármacos) mas a Física Quântica traz uma nova abordagem. Albert Einstein entendia a vibração, os campos energéticos, como a entidade que administrava as partículas, a matéria. Falamos de campos de energia invisíveis.


A Física Quântica provou que tudo é moldado pela energia. Ao ignorar as vibrações, colocamos em causa a alma da matéria, a energia que influencia a biologia humana. Tudo está relacionado com energia, com vibrações, com o corpo-matéria (partículas). Quando duas energias contrárias nos afetam, anulam-se, dando origem a vibrações negativas. Na infância aprendemos (somos programados) a não confiar nos sentidos, a pedir opiniões, mas eu não concordo. Devemos confiar nos sentidos e estar atentos se ganhamos ou perdemos energia, se as vibrações são boas ou não, se existe harmonia.

Se sentirmos essa energia negativa de que fala na relação com outra pessoa, como devemos agir?

Não podemos alterar uma má vibração alheia. Numa relação, aquilo que podemos tentar fazer é alertar para um comportamento negativo. Por exemplo, muitos casamentos terminam porque as pessoas deixam de se entender mas pensam que conseguem dar a volta naturalmente, mudando o outro. Isso é impossível, não dispomos desse tipo de controlo.

«Temos de identificar o que está em desarmonia, pois um pensamento negativo recebe em troca uma vibração igual»

Só é possível mudar a nossa própria energia. A harmonia e a compatibilidade resultam de uma programação e, se as coisas não estão bem, temos de mudar, reprogramar. Temos necessidades e desejos e, se conseguirmos manter essa identificação, o prazer de estar junto pode durar 10, 20, 30 anos. A vida inteira!

Como podemos alterar a nossa própria energia negativa?

Temos de identificar o que está em desarmonia, pois um pensamento negativo recebe em troca uma vibração igual. Por outro lado, duas energias positivas, em harmonia, interagem entre si, é a Lei do Retorno. Um pensamento negativo é um programa e temos de o alterar no subconsciente. Para conseguir o efeito lua-de-mel temos de mudar.

Diz que «a mente consciente é a sede da identidade pessoal mas que só a usamos cinco por cento do tempo.» Em que medida pô-la a funcionar mais pode ajudar-nos a termos relações mais felizes?

Passamos 95 por cento do tempo em que estamos acordados a pensar. Projetamos o futuro, recuamos ao passado, automatizamos processos. Quando, por exemplo, estamos focados em algo, fazemos o restante de forma mecânica, como um hábito. Nas relações acontece o mesmo, se o programa não for o adequado, se não existir um projeto comum, estamos a investir numa má relação.

«As crises conjugais acontecem quando o subconsciente assume um papel principal»

A paixão acontece quando conhecemos alguém que combina com os nossos desejos e expetativas, quando deixamos o consciente ser afetado, quando o nosso comportamento está sob o controlo das nossas aspirações. É isto o efeito lua de mel.

Estes métodos são adequados para quem ainda não encontrou “a” relação ou podem ser aplicados em casais que estão a passar por crises conjugais?

Em ambos, mas em níveis diferentes. Para quem sente que a relação está num período negativo, é essencial ter noção disso e entender o que mudou. A realidade é que as boas vibrações ainda existem a nível do consciente e não do programa. As crises conjugais acontecem quando o subconsciente assume um papel principal. Para mudar o que está mal temos de identificar as más vibrações, os programas inadequados.

Já testou estes métodos em grupos de estudo?

Sim, sigo muitas pessoas que passaram por reprogramação de crenças a vários níveis e conseguiram dar luz às suas vidas, que recuperaram as boas energias. Acompanhei algumas pessoas doentes e que alteraram os programas de crença e que passaram a acreditar que podiam vencer a doença, principalmente através das gravações subliminares, algo que também resulta para reabilitar relações perdidas.


O efeito lua-de-mel em seis passos

  1. Analise a mente consciente: Tenha «consciência» do que pede.
  2. Analise a mente subconsciente: Tenha noção da programação (educação) que recebeu antes de ser capaz de «pensar» conscientemente nisso.
  3. Aproveite as ferramentas ao seu dispor para reprogramar o subconsciente, como a hipnose e a atenção plena (mindfulness).
  4. Pratique gestos diários de bondade e seja carinhoso.
  5. Abra o coração ao parceiro quando discutirem ou quando quiserem recuperar o efeito lua-de-mel, anulando as discussões verbais através do silêncio e do toque físico.
  6. Comece por alterar a sua vida para que possa atrair um parceiro compatível com os seus desejos.

Fonte: Dados adaptados a partir do livro O Efeito Lua-de-mel de Bruce Lipton

Última revisão: Agosto 2015

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