Sete erros no casamento

7 erros no casamento

Que eles admitem terem feito e não querem voltar a cometer numa nova relação. Nem você.

  • PorCarlos Eugénio AugustoJornalista

  • ColaboraçãoDra. Cláudia MoraisPsicóloga e terapeuta familiar

A vida a dois é uma caixinha de surpresas, de exigências e cedências. Além da história de amor e da paixão, procura- se o companheiro certo, que preencha os nossos desejos e aspirações, que seja um amigo incondicional e um bom amante. Depois de encontrar a pessoa certa, casamos, aspiramos a concretizar sonhos, mas esse processo nem sempre corre como planeámos. A distância entre o paraíso e o inferno diminui a cada mágoa, desilusão, tensão, discussão, e muitas relações chegam ao fim. Os erros no casamento acontecem por imaturidade, raiva, vingança e contribuem para o final da relação. Num ápice, temos ao nosso lado alguém que já não nos faz feliz ou com quem deixámos de fazer o par ideal.

O amuo é um dos hábitos mais danosos para uma relação, sobretudo se recorrente

O que falhou? Em geral, ambos erraram em várias coisas. Cláudia Morais, psicóloga clínica, comenta em entrevista à Revista Prevenir alguns dos principais erros no casamento para que não os volte a repetir no futuro.

“O trabalho era a prioridade”

Pedro Henrique, 35 anos

  • Por que é um erro? «É uma queixa comum e um mau hábito que resulta de uma boa intenção. Muitas vezes, e sobretudo após o nascimento dos filhos, pode sentir-se uma instabilidade profissional e financeira e alguma insegurança em relação à estabilidade familiar. Nalguns casos, um dos membros do casal fica mais responsável pelas crianças enquanto o outro se foca, sobretudo, no desempenho profissional, normalmente o marido. A ideia – boa – de funcionarem como uma equipa pode extremar-se ao ponto de, aos olhos da mulher, o marido estar demasiado focado na realização profissional. Como nós precisamos – todos – de sentir que somos importantes para a pessoa que amamos, é fácil cair-se em discussões perigosas, marcadas pelas acusações de um e pela postura defensiva do outro.»
  • Como evitar este erro: «Identificando estes círculos viciosos e conversando abertamente sobre aquilo que cada um sente falta. Se o hipercriticismo for substituído pela manifestação clara das necessidades, é mais provável que o outro responda com afeto e acolha o apelo em vez de se defender ou contra-atacar.»

“Não «apimentámos» a vida sexual”

Maria Costa, 36 anos

  • Por que é um erro? «Quando as coisas começam a não correr bem do ponto de vista da comunicação, é frequente que as diferenças de género sobressaiam. Como as mulheres precisam que haja satisfação emocional para que consigam entregar-se em pleno do ponto de vista sexual, e os homens precisam da segurança da satisfação sexual para que consigam expor-se de um ponto de vista emocional, aquilo que acontece é que ambos se sentem inseguros e reclamam atenção. Sempre que o marido se aproxima fisicamente e não é correspondido sente-se rejeitado e interioriza a mensagem “ela não quer saber de mim”. E sempre que a mulher tenta conversar e não recebe a atenção de que precisa sente o mesmo. Se ambos estiverem vulneráveis ser-lhes-á mais difícil reconhecer as respetivas necessidades.»
  • Como evitar este erro: É preciso que cada um preste atenção aos apelos do outro. Podemos responder de uma de três formas: desprezando, ignorando ou respondendo com afeto. Se cada um fizer a sua parte, ambos sentir-se-ão seguros ao ponto de conseguirem explorar a sexualidade em pleno.»

“Amuava em vez de falar”

Carla Antunes, 48 anos

  • Por que é um erro? «O amuo ou o “tratamento do silêncio” é um dos hábitos mais danosos para uma relação, sobretudo se recorrente. É um mecanismo de defesa e um processo inconsciente ativado quando a pessoa se sente abandonada ou rejeitada, devido a um gesto ou comportamento do cônjuge que faz com que a pessoa se feche na concha. É como se dissesse “Não vale a pena. Ele(a) não quer saber de mim.” A pessoa que é confrontada com o amuo, e que muitas vezes desconhece o erro que cometeu, acaba por sentir-se também rejeitada, desprezada, abandonada. A partir daqui é fácil instalarem-se longos períodos de silêncio que acabam por permitir que aquelas duas pessoas se sintam progressivamente desligadas.»
  • Como evitar este erro: «Identificando os padrões de comportamento que cada um assume e abandonando hábitos antigos, dando o seu melhor para falar sobre o que se sente.»

“Não investi na relação, dava-a por garantida”

Luís Oliveira, 40 anos

  • Por que é um erro? «À medida que o tempo passa e as hormonas do início da paixão dão algum descanso, vamo-nos sentindo mais seguros. Percebemos que podemos mostrar exatamente aquilo que somos, sem máscaras nem reservas, e passamos a ter tempo para dedicar a outras áreas da vida. Há sonhos profissionais, amigos e familiares a quem dar atenção e prazeres individuais que podemos usufruir, e isso não deveria querer dizer que a pessoa que amamos deixa de ser importante. Mas é muito fácil continuarmos a amar sem que isso implique fazer grandes esforços ou sequer prestar muita atenção. Uma mulher pode sentir que ama o marido mas se sair todos os dias de casa e não pensar nele uma única vez ao longo do dia, porque tem de trabalhar e responder a mil e uma solicitações, o mais provável é que se distraia de alguns aspetos essenciais à manutenção de uma relação. Quando isso acontece e nos desleixamos, abre-se espaço para a desconexão e a sensação de desamparo.»
  • Como evitar este erro: «Numa relação feliz, a pessoa de quem gostamos ocupa algum espaço mental. Temos de nos esforçar para ficar a par do que é importante para ela, prestar atenção e procurarmos estar “lá”.

“Esqueci-me de mim”

Ana Sofia, 39 anos

  • Por que é um erro? «Algumas pessoas esforçam-se tanto por estar “lá” para a família que deixam de investir em si mesmas, física e emocionalmente. Mas o amor não é estático e cada um precisa da novidade e de continuar a admirar o outro. Ainda que reconheçamos que o nosso cônjuge é uma “boa pessoa”, isso pode não chegar. A maior parte de nós precisa de se sentir estimulado. E isso é muito mais difícil se a pessoa que estiver ao nosso lado se anular por completo.»
  • Como evitar este erro: «É fundamental continuar a ter sonhos e projetos individuais, motivos de orgulho para si e para o outro. Parar para conversar sobre o que cada um pode fazer para ajudar o outro a alcançar os seus próprios objetivos é uma boa opção.»

“Casei muito cedo”

Rui Amadeu, 44 anos

  • Por que é um erro? «O namoro tem a função de dar tempo para que duas pessoas se conheçam bem e, ainda sem as obrigações de casadas, poderem cometer erros e aprender a dar a volta. É nesta altura que temos oportunidade de reconhecer que a pessoa de quem gostamos também tem defeitos, também falha, nos desilude. Isso não é dramático, sobretudo quando percebemos que tudo o que essa pessoa acrescenta à nossa vida tem tanto valor. Por outro lado, há uma segurança emocional e uma sensação de pertença que resultam do facto de existir alguém ao nosso lado que gosta de nós, apesar de também já conhecer os nossos defeitos e as nossas falhas. Quando duas pessoas se “apressam”, casam e têm filhos, podem sentir-se “engolidas” pelos momentos de tensão, e até fazê-los crer que escolheram a pessoa errada.»
  • Como evitar este erro: «Parar para conhecer verdadeiramente a pessoa que está ao nosso lado, saber dela. Os casais felizes reservam tempo todos os dias para conversar sobre o “mundo” de cada um. Não há nada como a sensação de que a pessoa que está ao nosso lado é a que melhor nos conhece, a que mais nos apoia e a que mais luta para que os nossos sonhos deem certo.»

“Assumia todas as tarefas domésticas”

Neuza Silva, 47 anos

  • Por que é um erro? «A forma como somos educados pode condicionar o nosso comportamento numa relação conjugal. Muitas mulheres levaram toda a infância e adolescência a ouvir que: “uma mulher deve ter sempre a casa impecável” e sentem-se responsáveis por garantir que as tarefas sejam executadas na perfeição. Isso pode até funcionar enquanto não há filhos mas, depois disso, é praticamente inevitável alguma reestruturação, sob pena de os membros do casal se sentirem progressivamente distantes, mesmo que não entendam os motivos.»
  • O que fazer – «Se houver uma distribuição equilibrada das tarefas, é mais provável que se esforcem para que tudo continue a dar certo. Mesmo que ele nunca tenha lavado a loiça, vai sempre a tempo de aprender e, mesmo com alguns disparates pelo caminho, isso pode até servir para rirem a dois.»

Para evitar erros no casamento utilize a regra 5 para 1

«Para que uma relação seja feliz, o rácio entre interações positivas e negativas não pode ser inferior a 5:1. Quando começa a haver menos do que cinco momentos positivos por cada momento negativo, o mais provável é que a satisfação esteja a diminuir e a probabilidade de divórcio aumenta», refere Cláudia Morais à Revista Prevenir.


O fator dinheiro

Quando duas pessoas se juntam é normal que cada uma esteja habituada a gerir o dinheiro à sua maneira. Estas diferenças são frequentemente fonte de desgaste para a relação, mas não tem de ser assim. De acordo com Cláudia Morais o que é preciso é…

  • Criar uma identidade de casal – Para que o projeto a dois dê certo, é provável que ambos tenham de fazer cedências e é provável que nem todos os pequenos prazeres individuais possam ser atendidos.
  • Poupar – Para que se possa concretizar sonhos como comprar uma casa ou viajar a dois é preciso fazer poupanças e cortar nalguns itens supérfluos. Podem existir diferenças em relação ao que deve ser poupado e é fundamental chegar a um entendimento.
  • Conversar – Se um dos parceiros for muito impulsivo em relação ao dinheiro, o companheiro tenderá a sentir-se alarmado, inseguro e rejeitado, pensando que o outro não está verdadeiramente interessado em fazer tudo para que o projeto familiar resulte. importa conversar abertamente sobre aquilo que cada um espera do outro e, eventualmente, procurar ajuda especializada já que nalguns casos os gastos compulsivos são apenas a face visível de outras fragilidades.

Os casais felizes…

  • Apoiam-se mutuamente na concretização dos sonhos de cada um. Conhecem a importância dos sonhos de cada um e lutam – juntos – para que essas ambições se concretizem. às vezes há um que parece “apagar-se” para que o outro brilhe e vice-versa.
  • Lembram-se de que são um casal mesmo quando não estão juntos. Isso pode significar telefonar de propósito para dizer que está a passar a sua música preferida na rádio. Ou enviar um e-mail com uma notícia de jornal sobre uma das suas áreas de interesse. Aquilo que se diz nestes gestos é sempre a mesma coisa: “Gosto de ti”.
  • Zangam-se. As pessoas zangam-se (e sofrem a cada discussão), mas sabem que os conflitos são essenciais à manutenção de uma relação íntima. quanto mais segura uma pessoa se sentir dentro da sua relação, maior é a probabilidade de se zangar da forma certa.
  • Tocam-se com frequência. A ciência mostra que o toque das pessoas que amamos é curativo. Uma simples dor de cabeça ou uma terrível dor crónica podem não desaparecer milagrosamente quando a pessoa que amamos nos toca. mas há um alívio destes e de outros sintomas quando a pessoa com quem construímos uma ligação segura agarra a nossa mão.

Fonte: Adaptado a partir do livro Os 25 Hábitos dos Casais Felizes, de Cláudia Morais (Manuscrito)

Última revisão: Novembro 2015

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