O seu filho é alvo de bullying?

o seu filho é alvo de bullying

Especialista explica como reagir ao bullying e o que nunca fazer.

  • PorCarlos Eugénio AugustoJornalista

  • ColaboraçãoDr. Luís Fernandes Psicólogo e investigador na área do bullying e da violência na escola

Dados do Programa Escola Segura e da GNR indicam que o bullying nas escolas portuguesas aumentou. Luís Fernandes, psicólogo e investigador na área do bullying e da violência na escola e co-autor do livro Cyberbullying – Um Guia para Pais e Educadores (Plátano Editora), confirma à Revista Prevenir esse crescendo, explicando que se trata de «comportamentos agressivos entre crianças e jovens em idade escolar.

«Pais e educadores devem atuar rapidamente pois o bullying só pode ser vencido com o apoio de toda a comunidade educativa»

São ações repetidas que nascem de um desequilíbrio de poder, através de agressões físicas, psicológicas e/ou sexuais, algumas realizadas via Internet e dispositivos digitais (cyberbullying)». Segundo o especialista, «pais e educadores devem atuar rapidamente pois o bullying só pode ser vencido com o apoio de toda a comunidade educativa, sendo essencial que vítima, agressor e quem assiste à agressão sejam acompanhados».

Como agir

Siga as orientações de Luís Fernandes, psicólogo e investigador na área do bullying e da violência na escola.

Com o seu filho

  • Dê o seu apoio

«Seja solidário com a criança/jovem transmitindo-lhe que poderá contar consigo em qualquer circunstância, que irá resolver a situação. Caso tenha sido o próprio a contar o que está a passar-se, elogie sua coragem.»

  • Evite acusações

«Não acuse a criança/jovem por, de alguma forma, ser responsável pela situação. Isso não ajuda em nada a resolução do problema e fragiliza mais a vítima.»

  • Envolva-se

«Vá acompanhando a situação de perto, pois isso transmite segurança e permite ainda monitorizar e intervir precocemente perante novas situações que possam surgir.»


Com a escola

  • Defina um plano de atuação

«Contacte o professor titular da turma (no 1.º ciclo), o diretor de turma (nos outros ciclos de ensino) e/ou a direção da escola para perceber se estão a par da situação e definir-se um plano que proteja a criança/jovem.»

  • Conheça o regulamento interno

«Saiba quais os procedimentos previstos para estas situações, se existe um regulamento interno que refira os comportamentos que não são aceitáveis, assim como as suas consequências.»

  • Informe-se sobre o caso

«Apure se as agressões e/ou humilhações decorrem há muito tempo e quais os principais locais onde costumam ocorrer e se existem desconfianças por parte dos pais do agressor.»

  • Sugira uma ação de sensibilização

«Sensibilizar quem assiste à agressão é uma mais-valia para a resolução destes problemas. Sugira uma ação pedagógica junto dos colegas do seu filho.»

Com o agressor

  • Nunca o contacte

«Evite contactar diretamente os agressores ou os pais destes a pedir satisfações ou a exigir que estes deixem de incomodar os seus filhos, pois esta situação poderá agravar as agressões.»

  • Procure um mediador

«O ideal será entender se existem pessoas que funcionem como mediadores da própria situação, como, por exemplo, um diretor de turma ou o coordenador dos diretores de turma (normalmente um dos docentes mais experientes da escola), o psicólogo (caso exista) ou o diretor da escola. A participação dos funcionários é igualmente fundamental uma vez que a maioria dos casos ocorre nos recreios e/ou espaços comuns da escola.»


Bullying em números

São registados mensalmente em Portugal 616 casos de bullying, sendo que mais de 50% das vítimas não denunciam as agressões. As situações de bullying ocorrem em 70% dos casos nos recreios e/ou espaços comuns da escola. Seja como vítimas, agressores ou nesse duplo papel (vítimas que se “transformaram” em agressores), 25% das crianças e jovens em idade escolar estão envolvidas em casos de bullying.

Última revisão: Maio 2017

artigos recomendados

Previous Next
Close
Test Caption
Test Description goes like this