O seu filho está deprimido?

depressão infantil como tratar

Se a criança mudou de comportamento, manifesta uma grande tristeza, não brinca, isola-se e parece ter perdido o interesse pelas atividades que antes lhe davam prazer, pode estar a enfrentar uma depressão infantil, que é urgente tratar.

  • PorFátima Lopes CardosoJornalista

  • ColaboraçãoDra. Paula VilariçaMédica pedopsiquiatra, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência 

Se há cerca de dez a 15 anos, como lembra a pedopsiquiatra Paula Vilariça, em entrevista à Revista Prevenir «a depressão infantil não era avaliada e a sua existência era questionada, hoje, é uma entidade absolutamente consensual, que é reconhecida desde os bebés».

«As crianças são muito mais “plásticas” do que os adultos, a intervenção psicoterapêutica obtém resultados mais rapidamente»

A especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência realça que «é uma situação clínica que ocorre na vida da criança ou do adulto. Ninguém nasce deprimido. Há algo que acontece com a criança que a leva a entristecer ou ficar mais irritada. E é uma tristeza patológica que faz com que ela não consiga funcionar ao nível normal, a não ter um bom rendimento escolar, a evitar estar com os amigos, brincar e relacionar-se normalmente com a família».

A origem do problema

Pode não existir um motivo evidente para que os mais novos enfrentem a doença. «A depressão é multifatorial. Pode ser desencadeada por fatores genéticos, do ambiente, nível socioeconómico, as condições de vida da criança, a própria alimentação, se pratica ou não exercício físico, se tem hábitos regulares.» Depois, existem outras causas que vão sendo imponderáveis. «Por exemplo, a existência de lutos, se a criança perde figuras de referência muito importantes, a separação ou discussões entre os pais, se muda muitas vezes de escola e está sempre a perder os amigos, se assiste a acontecimentos traumáticos», acrescenta.

Sinais de alarme

A sintomatologia nem sempre é evidente, mas Paula Vilariça aponta possíveis sinais de depressão: «A criança manifestar tristeza ou estar muito irritada, perder o interesse nas atividades favoritas e que lhe davam prazer, abandonar os seus hobbies. Ter uma quebra do rendimento escolar, ansiedade, insónias, alterações de apetite, com perda ou vontade de comer muito, tendência para se isolar e não brincar com os amigos, não querer estar com a família e, muitas vezes, ficar ansiosa com medos e fobias.»

Consequências para a criança

Além do mal-estar e da sensação de infelicidade, as crianças vão perdendo oportunidades: «Normalmente, a depressão em idades muito precoces, como 3 anos, tem um impacto no desenvolvimento da criança, pois envolve-se e participa menos nas atividades normais, está mais isolada e retraída com as crianças da mesma idade.

«Enquanto um adulto é capaz de verbalizar sentimentos de tristeza, a criança expressa-os ou na brincadeira, ou nos desenhos, ou tem uma forma imatura e própria da idade para explicar que está triste e que não se sente bem»

A criança vai perdendo algumas etapas de desenvolvimento, interferindo na aprendizagem», refere a pedopsiquiatra. Se não for tratada, a depressão torna-se crónica:«O que começa por ser uma depressão em criança, no adolescente, acrescem outros distúrbios, como perturbações de comportamento, consumos de substâncias, insucesso escolar, ansiedade…», que se mantêm até à idade adulta.


Como se diagnostica a depressão infantil

Os critérios de diagnóstico são semelhantes aos do adulto. No entanto, Paula Vilariça esclarece que «na pedopsiquiatria há uma adaptação à fase de desenvolvimento. Enquanto um adulto é capaz de verbalizar sentimentos de tristeza, a criança expressa-os ou na brincadeira, ou nos desenhos, ou tem uma forma imatura e própria da idade para explicar que está triste e que não se sente bem».

Formas de tratamento

Reconhecido o problema e o quadro clínico, após avaliação completa da criança, o pedopsiquiatra decide qual a terapia mais indicada. Uma vez que «as crianças são muito mais “plásticas” do que os adultos, a intervenção psicoterapêutica obtém resultados mais rapidamente», explica Paula Vilariça, acrescentando: «Existe um vasto leque de psicoterapias, desde as intervenções que passam pelo jogo ou ludoterapia, as terapias cognitivo-comportamentais, treino das competências emocionais, as intervenções com abordagem sistémica e familiar, o mindfulness… Em última linha, recorre-se à medicação, sendo que quanto mais pequena for a criança, mais tarde esta se introduz: «Enquanto, no adolescente, por norma, temos de medicar quase no início, por causa dos problemas de ansiedade e de sono, numa criança pequena, privilegia-se sempre outras estratégias antes de avançar com a medicação.»


Antidepressivos

Quando a medicação é a solução para a depressão infantil

  • Casos graves «Quando recebemos uma criança que já vem com ideação suicida, com marcas de automutilação, absentismo escolar e isolamento total, o quadro clínico é grave e a farmacoterapia pode ter um papel importantíssimo desde o início», afirma Paula Vilariça, pedopsiquiatra.
  • Casos ligeiros ou moderados Se, «ao fim de dois ou três meses de intervenção psicoterapêutica considerada correta, não forem obtidos resultados, pode ser indicado acrescentar fármacos ao tratamento», refere a especialista.
Última revisão: Abril 2018

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