Divórcio de amigos: quando a amizade acaba

Divórcio de amigos

Quando um casamento entre duas pessoas chega ao fim, o divórcio separa-as oficialmente. E quando uma amizade termina, o que se faz?

  • EdiçãoVanda Oliveira

A amizade exige proximidade, presença, acompanhamento das dores de crescimento do outro, tempo para convívio, tempo para estar. Precisa de ser alimentada. E exige também que nos caminhos individuais que cada um percorre, vá existindo forma de compatibilizar novos gostos, novos estilos de vida e mudanças estruturais que possam ocorrer. Tal nem sempre acontece. É, aliás, muito difícil que aconteça. E não há mal nenhum nisso.

Infância versus idade adulta

Os amigos de infância, na maioria das vezes, tomam caminhos diferentes: vão para um curso diferente do nosso, para um emprego diferente, vão viver para uma cidade diferente ou casam-se com alguém que os envolve numa rede de contactos própria, onde nós deixamos de caber (ou por eles ou pela nossa própria iniciativa).

«Divorciarmo-nos de amigos é um ato de inteligência emocional importante para o nosso bem-estar e autoestima»

As amizades que nascem na idade adulta tendem a durar mais, pois são aquelas que ocorrem numa fase da vida em que, à partida, estamos mais estabilizados, quer emocionalmente quer em termos profissionais, geográficos e de condições de vida.

Tudo bons motivos

Quando os amigos fazem o seu caminho em sentidos opostos, as pessoas deixam de se identificar uma com a outra e naturalmente afastam-se. Algumas delas podem reencontrar-se mais tarde, por exemplo, após um divorcio. Outras vezes, as amizades terminam de forma menos pacífica. Isso acontece quando algo no comportamento de um amigo magoa o outro de tal forma que este não consegue repor os sentimentos positivos que existiam antes desse evento. A amizade tem de terminar.

Ser honesto

Divorciarmo-nos de amigos é um ato de inteligência emocional importante para o nosso bem-estar e autoestima. É também um ato de profunda honestidade e respeito pelo outro (embora ele possa não o ver dessa forma) e de coragem para romper algo que já não faz sentido e que muitas vezes mantemos para evitarmos o conflito. Para saber se esta a tomar a decisão certa, procure obter respostas para questões como: “Esta amizade ainda me deixa feliz?”, “Faz-me bem?”, “Dá-me paz?”, “Mostra o melhor e o pior de mim sem julgamento?”, “Permite-me crescer emocionalmente?”, “E igualitária (ou deixa-me co-dependente)?”.


Adeus, amizade

Para libertar sentimentos negativos, culpa pessoal, medo e conseguir ser assertiva (ao invés de emotiva ou agressiva), no afastamento de amigos, pode ser útil percorrer os seguintes passos:

  1. Faça uma lista daquilo que já não a faz feliz na amizade.
    Verifique o que a pessoa lhe transmite e que a deixa ansiosa, ou angustiada. Isso representa o que já não lhe faz falta.
  2. Perceba que terminar uma amizade não é uma questão de julgamento, mas de sentimento.
    Ou seja: não está a julgar a outra pessoa, está, sim, a identificar aquilo que já não a faz feliz.
  3. Desconfie da voz interior que lhe diz que talvez esteja a ser injusta.
    Pare para refletir se isso é um sentimento seu ou algo imposto pelos outros. Muitas vezes crescemos com a ideia de que não podemos abandonar ninguém mesmo que não nos tratem bem.
  4. Deixe ir.
    Assuma sem culpa quem é neste momento e o que sente. Assuma que o outro mudou ou que você mesma pode ter mudado. Com tranquilidade. Pois isso é algo natural e que lhe irá acontecer várias vezes ao longo da vida.
  5. Preocupe-se apenas com o que pode controlar.
    A única coisa que podemos efetivamente controlar é o que sentimos face ao que nos acontece. Se a quebra da amizade é a atitude que a alivia neste momento, é isso que deve controlar. A forma como o outro vai ver isso ou sentir isso faz parte do controlo emocional dele. Não lhe compete a si.
Última revisão: Fevereiro 2018

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