Como lidar com pessoas negativas?

Como lidar com pessoas negativas?

É um ato de sabedoria emocional afastarmo-nos ou mudarmos a relação com pessoas negativas. O seu discurso é corrosivo ao ponto de debilitar o nosso sistema imunitário.

As pessoas negativas agem como se o mundo estivesse contra elas e tentam encontrar um culpado para tudo o que lhes corre mal. Não conseguem ver nada de positivo no que lhes acontece nem mesmo quando as alertamos para isso. Usam frequentemente comportamentos como a agressividade verbal, a manipulação do discurso, a culpabilização do outro, das circunstâncias ou delas mesmas. Tudo é negro e mau. Pior: nunca irá melhorar.

São pessoas que expressam dois tipos de emoções que nos parecem paradoxais: por um lado, andam cabisbaixas, tristes, desanimadas, sem energia, ansiosas e até deprimidas. Por outro lado, a mesma pessoa pode apresentar emoções como raiva, revolta e, por vezes, até agressividade verbal e física. É preciso estarmos atentos pois estas pessoas são muito manipuladoras e aprenderam a usar o negativismo para prender os outros.

Por que é que existem pessoas negativas?

As pessoas negativas estão a assumir atitudes que lhes ensinaram desde a infância. Nunca obtiveram reconhecimento por parte dos que detinham a autoridade e, para se fazerem notar, adoptaram duas estratégias: ser do contra, revoltando-se conta as ordens; ou queixar-se, colocando-se numa posição de vítima para obter a aprovação dos outros. Receiam ser abandonadas e não serem amadas.


Criticar fá-las sentirem-se superiores, dando-lhes a ilusão que são elas que estão a dominar, até porque enquanto estão a ser negativas os outros têm tendência a dar-lhes atenção. A atenção que procuram e que aprenderam a conseguir dessa forma: queixando-se. Vitimizando-se. A autoestima das pessoas negativas é baixa e depende muito do feedback positivo do outro. Por isso, procuram que lhes digam coisas como “Vais ver que não!”, “Vai tudo correr bem contigo!”, “Tem calma, não quer dizer que se repita, tu consegues!”.

O impacto na nossa vida

Há uma grande tendência para deixarmos de conseguir estabelecer limites de relacionamento saudáveis quando convivemos com estas pessoas. A primeira fase é a da absorção. Sentimos que devemos estar ali para escutar a pessoa e ajudá-la. Ficamos desgastados mas com a sensação de ter feito bem à pessoa. Mas um crítico negativista raramente melhora. E surge a fase do sufoco. Começamos a sentir necessidade de ter mais espaço.

Não sinta culpa por impor limites na relação com pessoas para quem o mundo é cinzento: é bom para si e para elas

Quando tentamos afastar-nos, surgem sentimentos de culpa que nos levam a voltar atrás. Não é raro adoecermos devido ao convívio com pessoas negativas, podendo chegar ao ponto da própria voz da pessoa nos fazer sentir náuseas ou dores de cabeça. Como funcionamos por espelho, muitas vezes damos por nós a ser mais críticos que o habitual, o que cria uma desconfiança relativamente à nossa própria capacidade de sabermos lidar com os outros mantendo a nossa personalidade intacta.


Liberte-se de pessoas negativas

  • Questione. Quando uma pessoa se sente confortável na crítica e no negativismo, porque foi assim que aprendeu a ver o mundo, mostrar-lhe outra coisa será muito difícil. Nunca use afirmações pois a pessoa vai contestar de imediato. O melhor é lançar questões e deixar a pessoa com as respostas.
    Eis algumas questões que pode colocar:
    “Como se sente quando critica ou vê a vida de forma negativa?”
    “Que vantagens resultam para si quando critica a vida ou os outros?”
    “Já alguma vez imaginou como é que as pessoas se sentem à sua volta quando ouvem o seu discurso?”
    “Acha que as suas críticas vão mudar a sua vida?”
  • Afaste-se. É o mais aconselhável a partir do momento em que sentir que está a colocar em causa a sua saúde física e emocional. Mostre claramente que não pode continuar a viver a vida metade do tempo a tentar “puxar” o outro para cima. Quando o negativismo se torna crónico e nos intoxica, devemos sugerir ao outro que procure ajuda especializada para mudar o que pensa sobre a vida. Por vezes, não há como ser suave. Tem de cuidar de si em primeiro lugar.
  • Imponha limites. Selecione o tipo de conversa e os assuntos a que se permite ou não dar atenção, o tom da linguagem que permite ao outro, as horas em que permite determinado tipo de conversas e as horas para simplesmente não falar de nada. Os críticos não sabem conviver com o silêncio. Como tal, este exercício vai obrigá-los a olhar para dentro, para onde não querem ir.

O pote da mudança

Experimente este exercício: sempre que a pessoa com discurso negativo for “apanhada” a criticar tem de colocar um euro no potinho. Se ao fim de um mês tiver mais do que 30 euros, passa a ter de colocar 2 euros por cada discurso negativo.

Última revisão: Julho 2015

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