«A meditação tornou-me mais saudável e feliz»

Rute Caldeira: A meditação tornou-me mais saudável e feliz

A perda da irmã mais velha, na adolescência, e um diagnóstico de endometriose grau IV, anos mais tarde, conduziram Rute Caldeira a encontrar na alimentação macrobiótica, na meditação e na espiritualidade o trilho da saúde, paz, coragem e felicidade.

  • Recolha e ediçãoCarlos Eugénio AugustoJornalista

  • FotografiaArtur

Rute Caldeira é mestre em Reiki, instrutora de ioga, professora de meditação, cura reconectiva e reconexão, organizadora de retiros espirituais e autora dos livros Liberta-te de Pensamentos Tóxicos e Simplifica a tua Vida, editados pela Manuscrito. Em entrevista à Revista Prevenir conta-nos como a meditação e a espiritualidade a ajudaram a combater a doença e a ser verdadeiramente feliz.

«Entrei num processo de vazio interno»

«Sempre fui fisicamente saudável ainda que me sentisse, desde a infância, abalada emocionalmente. Aos 14 anos, perdi uma irmã mais velha num acidente de viação e a minha vida entrou em colapso. Entrei num processo de vazio interno, de revolta, de não aceitação, o que tornou a minha adolescência ainda mais complicada. Não confiava em mim e sentia-me em desafio constante, insegura, até face às comparações que me faziam com o meu irmão gémeo. Tornei-me ainda mais introvertida, instável e vivia permanentemente sob pressão.»

Perder as raízes

«O único suporte que tinha, o meu porto de abrigo, era a minha irmã mais velha. Trazia-me a clarividência que me faltava. Era dela que ouvia frases como: “Tu consegues!”. Isso fazia com que acreditasse em mim. A sua partida destroçou-me. Sentia que a minha vida também tinha acabado. Inconscientemente, a mensagem que passei para o meu corpo, nos anos seguintes, foi de vitimização, sobrevivência e esforço, e essa vivência tem consequências para o sistema imunitário, células e neurónios. E, quando surgiu a doença, senti que era uma consequência de todas essas emoções negativas.»

Os primeiros passos da mudança

«Aos 21 anos, fui operada para, supostamente, tirar um quisto de um dos ovários, mas descobriu-se que tinha endometriose de grau IV. A reação dos médicos foi muito apreensiva. Disseram: “Não podemos fazer mais nada”. E, paradoxalmente, foi essa frase que mais me motivou a reagir, a acreditar na vida. O meu corpo tinha uma massa que envolvia todos os intestinos e os órgãos reprodutores e no ar pairava a hipótese de não conseguir vir a ser mãe. Sentia a minha energia do avesso, mas tinha de lutar.

«Crescia dentro de mim uma paixão pela espiritualidade»

Tornei-me vegetariana, passei a seguir uma alimentação macrobiótica e corrigi o meu estilo de vida. Abandonei o stresse, abracei a paz, sacudi o medo e agarrei a coragem. Era hora de me salvar.»

A iniciação à meditação

«Procurei alternativas e a meditação surgiu por via de uma homeopata que me indicou alguns exercícios, entre os quais caminhar descalça ou ficar sentada a prestar unicamente atenção ao meu corpo e respiração e, a partir daí, encontrar afirmações positivas. Não tinha a menor ideia que estava a meditar nem o que era a Psicologia Positiva, mas a reação do meu corpo foi extraordinária em termos físicos e emocionais. Sentir a espiritualidade da meditação mudou a minha vida, tornou-me mais saudável e feliz. Estava grata por isso e continuei.»

O impacto na saúde

«Ao fim de uma semana, era outra pessoa. O meu sistema nervoso acalmou e revelou-se a verdadeira Rute, a pessoa que esteve escondida dentro de mim durante anos. Três meses depois de começar a meditar, o meu corpo estava repleto de energia e, ao fazer novos exames, descobri que a tal massa desaparecera. Estava limpa física e emocionalmente, graças à homeopatia, escolhas alimentares e meditação. Esse processo fez que com precisasse de aprender mais sobre essas técnicas e qual a força dessa capacidade de cura. Estudei, investiguei e fiz formações. Conciliava tudo com o mestrado que fazia no âmbito do curso de Comunicação Social. Crescia dentro de mim uma paixão pela espiritualidade.»

Passagem para a Índia

«À medida que o meu trabalho espiritual era interiorizado, tinha o sonho de visitar a Índia, o berço da espiritualidade. Consegui-o, pela primeira vez, em 2015. Foi a maior e mais importante viagem da minha vida e foi lá que escrevi o meu primeiro livro. Essa passagem por Richiqueche, capital do ioga e uma cidade 100 por cento vegetariana, no sopé dos Himalaias e junto à nascente do rio Ganges, mostrou-me que a sabedoria ancestral faz revelações incríveis, principalmenteno que toca ao poder da mente e das ferramentas espirituais que dispomos para viver em pleno.»

«É essencial saber interpretar os sinais que organismo nos dá. Quando não o fazemos, ficamos doentes»

Disciplinas complementares

«Essa aprendizagem tornou claro que a medicina convencional não explicava tudo o que aconteceu comigo e que, muitas vezes, erradamente, lidamos com a doença de forma passiva. Ao estudar disciplinas como o reiki e a Anatomia Energética, aprendi como funcionam os meridianos e que a energia vital influencia drasticamente as nossas emoções, o sistema imunitário e a saúde física. Hoje, acredito que as medicinas, em vez de se substituírem, complementam-se e que é essencial saber interpretar os sinais que organismo nos dá. Quando não o fazemos, ficamos doentes.»

O real valor da vida

«Ao passar por um drama emocional ou uma doença, devemos trabalhar a consciência no sentido de lutar pela vida. São os desafios mais difíceis que nos despertam e tornam mais fortes. Por vezes, perdemos tempo com questões supérfluas quando deveríamos recentrar prioridades e encontramos um caminho. Isso faz-nos descobrir a importância de dizer “amo-te”, a força de um abraço e o significado de estar na companhia de quem gostamos. Ao entender o real valor da vida, conseguimos sentir tudo com mais intensidade e que temos de fazer escolhas. Olho para trás, sei que errei, mas tento aprender com essas falhas. Ao aceitá-lo, encontrei a paz e a verdadeira saúde. Hoje, sou completamente apaixonada pela vida e feliz.»


O que é a meditação?

«A maioria das pessoas diz que não consegue meditar, pois a mente nunca para e assim não consegue pensar no “nada” ou focar-se num único pensamento. Mas a meditação é mais do que isso; é um estado de hiperconsciência. É a capacidade de sair do mundo exterior e mergulhar no nosso “eu” mais íntimo e perceber como estão os nossos pensamentos, emoções e corpo. É um momento em que nos recentramos, com foco na respiração. No fundo, é um trabalho de auto-observação que traz consciência e isso faz nascer a mudança. O grande desafio é fugir da tentação de nos identificarmos apenas com as emoções e pensamentos que nos “atropelam”, pois somos muito mais que isso», explica Rute Caldeira.


Exercícios de meditação

Rute Caldeira defende que todos podemos e sabemos meditar, crianças incluídas. «A intenção é aprender a respirar e acalmar a mente, e isso pode ser feito de várias formas. Meditar não se resume a fechar os olhos e ficar em silêncio; e pode implicar movimento», afirma. Eis três exemplos:

  • Música e dança: «Escolha músicas que a façam dançar. Oiça-as entre 15 e 20 minutos, de olhos fechados, enquanto dança. Depois, sente-se e foque-se na respiração, durante dez minutos. O objetivo é trabalhar o estado do humor por via, primeiro, da catarse provocada pelo movimento e, depois, da concentração. Faça-o, de preferência, de manhã ou ao final do dia.»
  • Atenção plena: «Dedique cinco minutos por dia para tratar da higiene mental. Experimente fazê-lo, por exemplo, antes do pequeno-almoço. Sentada, de olhos fechados, faça respirações profundas através do nariz. Vai ver que, ao final de uma semana, vai sentir-se mais tranquila, pois este exercício permite sentir-se melhor consigo própria. Eventualmente, vai querer aumentar o tempo do exercício à medida que o faz.»
  • Agradecimento: «Mentalmente ou registando num diário, reserve cinco ou dez minutos no final do dia para agradecer algo que aconteceu no seu quotidiano, mesmo que pareça insignificante. Contemplar a natureza, por exemplo, ou sentir o amor da família faz toda a diferença. Isso ensina-nos que não podemos tomar nada por garantido e devemos agradecer e sentir o que temos. Assim, elevamos o nosso estado de espírito e o bem-estar, pois o essencial é valorizar o “agora”e não o que não temos.»
Última revisão: Dezembro 2017

artigos recomendados

Previous Next
Close
Test Caption
Test Description goes like this