Quais as causas da celulite?

As diferentes causas da celulite

Alterações nos tecidos subcutâneos “puxam” a pele, conferindo-lhe um aspeto tipo casca de laranja. Conheça as principais causas da celulite.

  • PorSofia Santos CardosoJornalista

  • ColaboraçãoDra. Marta PadilhaMédica especialista em Medicina Geral

Afeta cerca de 90 por cento das mulheres e é um “flagelo” para a pele, mas, principalmente, para a aparência e autoestima. Com um aspeto ondulado que se assemelha à casca de laranja, a celulite surge principalmente nas ancas, nádegas e coxas, mas pode também existir no abdómen e nos braços. No meio médico é chamada de fibro edema geloide e representa «uma alteração no tecido dérmico e subcutâneo, com alterações vasculares e formação de fibroses», explica Marta Padilha, médica de medicina geral no Instituto Prof. Teresa Branco, em entrevista à Revista Prevenir.

Por motivos estruturais, circulatórios, hormonais e/ou inflamatórios, desenvolve-se quase que exclusivamente na pele das mulheres após a puberdade e tende a agravar-se em determinadas fases da sua vida: gravidez, amamentação e menopausa, por serem períodos em que a mulher sofre alterações hormonais que favorecem o seu aparecimento. Além disso, em todas estas fases, «há uma acumulação de gordura na zona pélvica, formando-se uma reserva de energia», acrescenta a especialista.

O peso da gordura

A percentagem de massa gorda que possuímos influencia o aparecimento e posterior desenvolvimento da celulite, uma vez que esta está diretamente relacionada com o aumento das células de gordura (adipócitos). O mecanismo de formação da celulite torna esta relação mais clara: «Com a acumulação de gordura, as células adiposas alargam e as paredes capilares tornam-se excessivamente permeáveis, o que leva à acumulação localizada de fluidos. Por consequência, a capacidade de drenagem linfática do organismo torna-se insuficiente (a eliminação do excesso de fluidos passa a ser mais lenta). Em simultâneo, as células adiposas agrupam-se e ficam ligadas por fibras de colagénio — impedindo a corrente sanguínea —, os fios do tecido conjuntivo endurecem, contraem-se, “puxam” a pele para baixo e aparece a inestética celulite», explica Marta Padilha à Revista Prevenir.

«A deficiência hormonal é um fator causador ou de agravamento da celulite»

A quantidade de massa adiposa está, assim, diretamente relacionada com o desenvolvimento da celulite. No entanto, não é necessário que haja excesso de peso ou obesidade para o seu desenvolvimento. «A celulite também pode ser encontrada onde existe maior depositação de tecido adiposo (parte inferior do abdómen, braços e joelhos)», confirma a especialista.

Hormonas, uma das principais causas da celulite

«A deficiência hormonal é um fator causador ou de agravamento da celulite», refere Marta Padilha. «A deficiência de testosterona e da hormona de crescimento causa diminuição da musculatura da coxa e um aumento da massa gorda. A glândula da tiroide também tem um papel crucial neste “flagelo” feminino, pois um mau funcionamento da mesma aumenta a massa gorda e o excesso de insulina, causando depósitos de gordura. Os estrogénios — a hormona responsável pelas funções reprodutoras da mulher — são também responsáveis pelo aumento da taxa metabólica do corpo, promovendo a depositação de lípidos (lipogénese) no tecido subcutâneo, nomeadamente nas zonas das ancas, glúteos e coxas. Os estrogénios afetam ainda a microcirculação, dado que aumentam a permeabilidade dos vasos e diminuem o tónus muscular, sendo também responsáveis pela perda de elasticidade da pele», explica.

Não é de admirar, portanto, que este seja um problema maioritariamente feminino. Mas há ainda outras causas da celulite que fazem com que os homens escapem a este problema.

Homens vs. mulheres

Além dos fatores hormonais já referidos, existem também razões estruturais para que a celulite afete mais o sexo feminino. «Enquanto nos homens, o tecido adiposo é mais fino e o tecido conjuntivo é capaz de separar os adipócitos (gordura subcutânea), dividindo as câmaras gordurosas em pequenas unidades, nas mulheres, o tecido conjuntivo forma uma rede vertical perpendicular à derme, que separa os lóbulos adiposos volumosos em secções retangulares, que pressionam a derme e geram o aspeto “casca de laranja”», explica Marta Padilha.


«A derme mais grossa da pele masculina e a rede de tecido conjuntivo que existe na camada gordurosa podem prevenir as papilas adiposas de retrair em excesso a pele, enquanto a organização destas estruturas na pele da mulher favorece a projeção do tecido gorduroso, formando a celulite», refere. É de salientar também que as causas da celulite nos homens podem estar relacionadas com uma deficiência androgénica, como na síndrome de Klinefelter ou o hipogonadismo, ou quando fazem terapia com estrogénios no tratamento do cancro de próstata.

Hábitos a evitar

Além dos fatores hormonais, da idade e do sexo, não podemos esquecer a influência dos hábitos de estilo de vida no aparecimento e desenvolvimento da celulite. A ingestão de álcool e de alimentos com elevado teor de açúcar e de gordura favorece a formação de celulite e deverá ser evitada. «Estes alimentos estimulam a lipogénese [formação de células gordas]. A gordura não utilizada em forma de energia será armazenada em certas regiões do corpo como energia de reserva, criando as condições ideais para o desenvolvimento da celulite», explica Marta Padilha.

Existem ainda outros hábitos que também podem ter uma influência negativa, como o uso de roupa apertada

O sedentarismo ou a falta de exercício físico são também outras das causas da celulite, ao diminuir a capacidade circulatória, a drenagem e a oxidação de toxinas. O tabaco é outro fator nocivo, uma vez que diminui o fluxo da microcirculação, favorecendo a lipogénese, além de aumentar a produção de radicais livres, diminuindo o sistema natural de defesa do organismo.

Existem ainda outros hábitos que também podem ter uma influência negativa, como o uso de roupa apertada, que diminui a drenagem linfática, e o hábito de ficarmos sentados de pernas cruzadas durante muito tempo, que favorece a diminuição da velocidade da circulação sanguínea (estase venosa).

Última revisão: Maio 2017

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