Eliminar gordura em consultório: o que tem de saber

Dois cirurgiões explicam o que deve ter em conta quando pretende eliminar gordura em consultório.

Na hora de escolher uma técnica para remover gordura corporal, há muitas questões que deve colocar. Descubra qual a mais indicada para si e o que tem de fazer para eliminar gordura, obtendo o melhor resultado.

  • PorSofia Santos CardosoJornalista

Depois de escolher uma clínica de cirurgia plástica, reconstrutiva e estética credível – deverá ter um licenciamento de bloco operatório e internamento, e um alvará da Direção-Geral da Saúde –, há outros cuidados a ter antes de se submeter a uma cirurgia. Se procura um tratamento não invasivo eficaz, também há critérios a ter em conta. Em entrevista à Revista Prevenir, Francisco Ibérico Nogueira e Tiago Baptista Fernandes, cirurgiões plásticos, respondem às dúvidas mais comuns e indicam as técnicas que consideram ser mais eficazes.

O que devemos fazer antes de realizar um tratamento para eliminar gordura?

«É de extrema importância que todos os pacientes sejam submetidos a um estudo clínico rigoroso antes de ser efetuado qualquer tipo de tratamento. Na primeira consulta, é fundamental elaborar o historial clínico do paciente e avaliar o seu estado de saúde. São necessários exames laboratoriais de rotina, exames cardiológicos e radiológicos. Estes permitem-nos perceber se o doente se encontra em condições de saúde para ser submetido a uma cirurgia, sem correr riscos. Um estudo computadorizado da imagem também pode ser considerado para fazer uma antevisão dos resultados», afirma Francisco Ibérico Nogueira. Nos tratamentos minimamente invasivos e localizados, «a avaliação médica não necessita de ser tão exaustiva, pois estes não provocam alterações significativas no metabolismo do nosso organismo», refere Tiago Baptista Fernandes.

É importante perder peso antes de avançar para um tratamento cirúrgico ou minimamente invasivo?

«Os tratamentos invasivos ou não invasivos para eliminar gordura só devem ser realizados depois de a pessoa ter perdido peso e estiver perto do seu peso ideal», defende o médico Francisco Ibérico Nogueira. «Esta condição é essencial para que os procedimentos sejam realizados de uma forma segura e sem risco de desenvolver complicações que estão associadas à obesidade.

«Quando há grandes quantidades de gordura e pele, tal só pode ser corrigido através da cirurgia»

Estes tratamentos não devem servir para emagrecer as pessoas, mas sim para eliminar gorduras residuais, as chamadas lipodistrofias localizadas, nas zonas anatómicas mais rebeldes», frisa o especialista. «Nos casos extremos, como a obesidade mórbida, a perda de peso antes de realizar a cirurgia pode potenciar o resultado final», adianta Tiago Baptista Fernandes. «Nos tratamentos não invasivos, em que as perdas de volume são muito inferiores às obtidas em cirurgias, poderá ser aconselhável a perda de peso anterior ao procedimento para atingir determinados resultados», acrescenta.

Que outros cuidados devemos ter?

«O cirurgião deve verificar se a paciente toma medicação – porque poderá ter de ser suspensa -, se tem alergias, e, principalmente, certificar-se de que as suas expetativas estão corretas», informa Tiago Baptista Fernandes. «As pessoas dismorfofóbicas, que têm expectativas completamente irrealistas em relação ao seu corpo, devem ser identificadas e recusadas na cirurgia estética», afirma Francisco Ibérico Nogueira.

Em que casos devemos mesmo recorrer à cirurgia para eliminar gordura?

«Quando há grandes quantidades de gordura e pele, tal só pode ser corrigido através da cirurgia. No entanto, a avaliação médica prévia é essencial para definir o tratamento mais adequado», refere Tiago Baptista Fernandes.

Em que casos podemos optar por um tratamento não invasivo?

«Os tratamentos não invasivos são indicados para situações menos crítica, como é o caso da gordura localizada. As melhores áreas para realizar estes tratamentos são a barriga, os braços, a parte interna das coxas, os joelhos, os flancos e o pescoço», indica Tiago Baptista Fernandes.


«Os melhores resultados ocorrem em pessoas que apresentam um tipo de gordura mais mole e uma pele que não seja muito firme, mas com pouca flacidez», adianta. Para Francisco Ibérico Nogueira, «os tratamentos não invasivos têm um efeito muito limitado, mas são úteis para acelerar os resultados de uma cirurgia, especialmente no caso da lipoaspiração que cria vários “túneis” (onde estava localizada a gordura) que vão ser preenchidos por líquidos que têm de ser eliminados».

No tratamento cirúrgico, as células de gordura desaparecem definitivamente?

«Através da lipoaspiração, as células de gordura são destruídas, “aspiradas” e removidas do organismo. Podem permanecer algumas que, eventualmente, poderão aumentar de volume no futuro, mas nunca irão atingir uma forma tão aparente como aquela que tinham antes de o tecido adiposo ser aspirado», explica Ibérico Nogueira.

«É importante readquirir hábitos de vida mais saudáveis para que os resultados sejam mantidos por muito tempo»

E no tratamento não invasivo, o que acontece às células de gordura?

Depende do tratamento. «A mesoterapia acelera o metabolismo das células adipócitas, reduzindo a quantidade de gordura que está no seu interior», explica Francisco Ibérico Nogueira. Na criolipólise, «as células de gordura são destruídas por uma indução de frio e eliminadas de forma natural pelo organismo», refere Tiago Baptista Fernandes.

Que cuidados devemos ter após o tratamento?

«É importante readquirir hábitos de vida mais saudáveis para que os resultados sejam mantidos por muito tempo, ainda que os resultados cirúrgicos sejam mais “imunes” ao incumprimento destes cuidados», refere Tiago Baptista Fernandes. «São as medidas “higieno-dietéticas”, como a alimentação saudável, a prática regular de exercício físico, a correta ingestão de água, evitar fumar e a proteção solar. Estas vão permitir manter os resultados durante muitos anos, evitar o desenvolvimento de novas lipodistrofias (acumulação de gordura localizada) e viver mais e com melhor qualidade de vida», acrescenta Francisco Ibérico Nogueira.

Última revisão: Dezembro 2017

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