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Transplante capilar: tudo o que tem de saber

Médica dermatologista indica os tipos de transplante capilar existentes, as vantagens e desvantagens de cada um e qual o mais indicado para cada caso.

  • PorSofia TeixeiraJornalista

  • Entrevista aDra. Paula QuirinoMédica dermatologista com diferenciação em tricologia

Quando os tratamentos de primeira linha não são suficientes, pode ser necessário recorrer a uma solução cirúrgica para reverter a falta de cabelo acentuada provocada pela alopecia – o termo médico utilizado para a calvície. Mas antes de avançar para o transplante capilar, deve conhecer as técnicas existentes, os prós e contras de cada uma e qual a mais indicada para o seu caso. Reunimos as principais questões e falámos com Paula Quirino, médica dermatologista com diferenciação em tricologia, na Dentalderme Essential Aesthetics (Figueira da Foz) e Centro de Dermatologia Epidermis (Porto).

Que tipos de queda de cabelo têm indicação para um transplante capilar?

Há vários tipos de alopecia, mas a mais vulgar é a alopecia androgenética, que, como o nome indica, tem uma causa genética: a testosterona sofre a ação de uma enzima, a 5-alfa-redutase, e é transformada em di-hidrotestosterona que vai determinar que os folículos pilosos fiquem progressivamente mais finos. É mais vulgar nos homens e, apesar de enfraquecer o cabelo na zona frontal, mesmo nos casos mais graves, a qualidade do folículo mantém-se na zona occipital, ou seja, na nuca. Assim, é o tipo de queda de cabelo com melhor indicação para transplante, já que é possível ir buscar cabelo a zona occipital para transplantar capilar para a zona frontal, onde ele rareia.

«O transplante capilar não é a solução para o problema da calvície, mas sim um complemento do tratamento médico»

Quais são as principais técnicas de transplante capilar?

Pode ser usada a técnica da unidade de transplante, que consiste na retirada de uma pequena faixa de cabelo da zona dadora que depois é dissecada, sendo escolhidos os cabelos mais viáveis para implantar na zona recetora ou a técnica por unidade folicular (FUE), que consiste na retirada dos cabelos, folículo por folículo, na zona dadora.

Como é feita a escolha da técnica?

Está relacionada sobretudo com a experiência de quem faz o transplante capilar. Hoje em dia, a técnica por unidade folicular (FUE) é a mais usada porque o procedimento pode ser feito com um robô e é mais rápido, mas vai deixar uma pequena cicatriz por cada folículo extraído e a zona (dadora) fica com menos densidade. A técnica da unidade de transplante em que se se retira uma faixa de cabelo e deixa apenas uma cicatriz que é impercetível parece-me uma técnica mais sensata.


Que cuidados pré-operatórios são necessários?

É preciso ver que medicamentos e suplementos as pessoas tomam habitualmente porque o couro cabeludo sangra muito e alguns aumentam o risco de hemorragia. A toma de anti-inflamatórios, aspirina, algumas vitaminas e chá verde devem ser suspensos antes do transplante capilar.

Que cuidados pós-operatórios são necessários?

Em ambas as técnicas, a anestesia é feita localmente, tanto na zona dadora como na recetora. No pós-operatório, sobretudo nos primeiros 15 dias, que correspondem à fase de cicatrização, é necessário repouso e há alguma limitação das atividades diárias. Há algum edema e risco de infeção, pelo que é preciso tomar antibiótico.

Deve ser feito algum tratamento antes e depois do transplante capilar?

Sim. O transplante capilar não é a solução para o problema da calvície, mas sim um complemento do tratamento médico. Idealmente, este devera ser efetuado durante dois anos, com medicação, para melhorar a qualidade do cabelo que ainda existe. Quando isso é feito, há até pacientes que acabam por decidir não fazer o transplante capilar ou, em vez de terem de transplantar três mil cabelos, só precisam de metade. Depois do transplante capilar, este tratamento médico deve ser mantido. Os cabelos transplantados não caem, mas os outros, na mesma zona, vão continuar a ser afetados pela hormona que os faz cair, por isso o ideal é fazer um tratamento que os preserve o mais possível, de forma a tentar evitar um novo transplante passado alguns anos.

«O pico de eficácia, ou seja, o resultado final, só e visível cerca de um ano apos o transplante»

Qual a extensão máxima da área que é possível cobrir com um transplante capilar?

A média de transplante é entre dois mil e três mil cabelos, podendo ir aos cinco mil. Mais do que isso é difícil porque há um limite do número de cabelos que é viável ir buscar à zona occipital, que é a única que mantém a qualidade do folículo, para não a deixar também com pouca densidade. Ou seja, se a área recetora é muito superior a área dadora, o transplante capilar não é exequível.

Quanto tempo após o transplante capilar começam a ser visíveis os resultados?

O cabelo que é transplantado acaba por cair ao fim de cerca de quatro meses. O pico de eficácia, ou seja, o resultado final, só e visível cerca de um ano após o transplante capilar.

Há diferenças nas técnicas de transplantes capilares usadas em homens e nas mulheres?

Nas mulheres, pode ser mais difícil fazer transplante capilar porque, tendencialmente, ao contrário dos homens, o cabelo fica mais fino de forma generalizada, sendo mais difícil obter cabelo de qualidade na zona occipital que seja viável para implantar. Quando é esse o caso, há outras técnicas que podem ser usadas. Uma é a aplicação de fibras capilares artificiais, que imitam o cabelo humano e podem ser implantadas para cobrir zonas pontuais em que o cabelo rareia. A outra são as próteses capilares, uma peçaa feita à medida de cada paciente que consiste num implante de cabelo – natural ou artificial – que é colocado fio a fio sobre uma película fina que imita a pele e que é colada de forma duradoura à zona da cabeça com pouco cabelo.

«É de evitar ir diretamente a sítios que estão exclusivamente focados em transplante capilar porque mais frequentemente não apresentam outras opções»

Quais são as contraindicações para um transplante capilar?

Há algumas contraindicações que dizem respeito à saúde geral da pessoa, algumas que estão relacionadas com a necessidade de anestesia, outras com problemas de alterações da coagulação. Há também doenças autoimunes, por exemplo lúpus, líquen plano pilar e alopecia areata, que são uma contraindicação absoluta pelo risco de rejeição e porque, a existirem, podem desencadear alopecias cicatriciais que implicam uma calvície irreversível. Nestes casos, o diagnóstico tem de ser muito bem feito, caso contrário, fazer o transplante capilar agrava a condição.

Como se deve escolher um médico?

Faz sentido ser visto por um dermatologista tricologista que faça uma avaliação geral, um diagnóstico correto e, eventualmente, que institua um tratamento pré-transplante que otimize o resultado final. É de evitar ir diretamente a sítios que estão exclusivamente focados em transplante capilar porque mais frequentemente não apresentam outras opções.


Tipos de transplante capilar

Conheça as quatro técnicas apontadas pela médica dermatologista Paula Quirino e saiba qual a mais indicada para cada caso.

Técnica da unidade de transplante
Técnica da unidade de transplante

Consiste na retirada de uma pequena faixa de cabelo da zona dadora que, depois de dissecada e escolhidos os cabelos mais viáveis, é implantada na zona recetora. É a segunda técnica mais utilizada atualmente. Tem a vantagem de deixar apenas uma cicatriz que é impercetível e de o cabelo não necessitar de ser rapado.

Consiste na retirada de uma pequena faixa de cabelo da zona dadora que, depois de dissecada e escolhidos os cabelos mais viáveis, é implantada na zona recetora. É a segunda técnica mais utilizada atualmente. Tem a vantagem de deixar apenas uma cicatriz que é impercetível e de o cabelo não necessitar de ser rapado.

Técnica por unidade folicular
Técnica por unidade folicular

Consiste na retirada de cabelos, folículo por folículo, na zona dadora. É atualmente a técnica mais usada. Tem a vantagem de o procedimento poder ser feito com um robô e ser mais rápido que a técnica anterior, mas deixa uma pequena cicatriz por cada folículo extraído e a zona fica com menos densidade.

Consiste na retirada de cabelos, folículo por folículo, na zona dadora. É atualmente a técnica mais usada. Tem a vantagem de o procedimento poder ser feito com um robô e ser mais rápido que a técnica anterior, mas deixa uma pequena cicatriz por cada folículo extraído e a zona fica com menos densidade.

Transplante de fibras capilares artificiais
Transplante de fibras capilares artificiais

As fibras capilares artificiais imitam o cabelo humano e podem ser implantadas para cobrir zonas pontuais em que o cabelo rareia. É indicada especialmente no caso das mulheres em que o cabelo fica mais fino de forma generalizada, não sendo possível obter cabelo de qualidade na zona occipital que seja viável para implantar.

As fibras capilares artificiais imitam o cabelo humano e podem ser implantadas para cobrir zonas pontuais em que o cabelo rareia. É indicada especialmente no caso das mulheres em que o cabelo fica mais fino de forma generalizada, não sendo possível obter cabelo de qualidade na zona occipital que seja viável para implantar.

Prótese capilar
Prótese capilar

Consiste num implante de cabelo — natural ou artificial — feito à medida de cada paciente e que é colocado fio a fio sobre uma película fina que imita a pele e que é colada de forma duradoura à zona da cabeça com pouco cabelo. É indicada especialmente no caso das mulheres, em que o cabelo fica mais fino de forma generalizada, sendo mais difícil obter cabelo na zona occipital com qualidade viável para implantar.

Consiste num implante de cabelo — natural ou artificial — feito à medida de cada paciente e que é colocado fio a fio sobre uma película fina que imita a pele e que é colada de forma duradoura à zona da cabeça com pouco cabelo. É indicada especialmente no caso das mulheres, em que o cabelo fica mais fino de forma generalizada, sendo mais difícil obter cabelo na zona occipital com qualidade viável para implantar.

Última revisão: Outubro 2019

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