Sem densidade capilar?

Porque se perda densidade capilar e como prevenir

A perda de densidade capilar pode não ser só um problema de escassez, mas também de perda de espessura em cada fio e do tipo de cabelo que tem. O especialista explica.

  • PorManuela VasconcelosJornalista

  • ColaboraçãoDr. Bruno BernardEspecialista em biologia capilar

Muito do que se diz ou pensa sobre cabelo e densidade capilar está errado. E não nos referimos a preferências de corte ou coloração. A verdade é que o funcionamento do cabelo é um fenómeno complexo e que ainda intriga os investigadores. Bruno Bernard é um deles. Membro da Sociedade Europeia de Pesquisa Capilar e investigador na área capilar no grupo L’Oréal, participou na descoberta da molécula antiqueda mais emblemática do mercado. Em entrevista à Revista Prevenir, conta-nos o que já descobriu sobre o volume do nosso cabelo.

Em que se traduz a densidade do cabelo?

Quando falamos de densidade capilar temos de falar de cabeleira e não de cabelo, porque ela é o resultado de todos estes parâmetros em simultâneo: o aspeto geral que vemos, o número de cabelos por cm2, o diâmetro dos fios e a forma do cabelo. A nível mundial, é interessante verificar que o número de folículos por cm2 e até mesmo a velocidade de crescimento capilar não é idêntica na Ásia e em África. Pontos comuns são o funcionamento do folículo e as necessidades em nutrientes.

«A ingestão muito regular de fast food reflete-se na saúde dos cabelos»

O cabelo cresce e cai de forma cíclica?

Não gosto da ideia de ciclos de crescimento capilar. Penso que a noção de estado ativo ou dormente é mais rica, até porque a duração das fases pode ser diferente de um cabelo para outro. Diz-se que a fase de crescimento, anagénese, dura 3 anos, mas isso é apenas uma média. Analisámos os folículos, durante 140 meses, e constatámos que num só folículo varia imenso, desde meses até anos. A duração de cada estado é imprevisível. A média é de três meses na fase de repouso/dormência (o folículo está em repouso após ter perdido o cabelo naturalmente), mas verificámos que há umas muito curtas e outras que podem superar os 12 meses.

O que está na origem da perda de densidade capilar?

O folículo é um órgão que está sob influência da alimentação, das alterações hormonais, do estilo de vida, da exposição solar e até, por exemplo, do uso de capacete.


De que forma é que a alimentação afeta a saúde do cabelo?

O folículo é um órgão muito dependente da nutrição. Por exemplo, a ingestão muito regular de fast food reflete-se na saúde dos cabelos. E se ingerimos alimentos ricos em cisteína (nozes, aveia, brócolos), isso vai refletir-se na qualidade do cabelo e das unhas. Há também um aminoácido, a arginina, cuja síntese endógena não é suficiente e é preciso obtê-lo pela dieta [nozes, amêndoas, caju, sementes de sésamo e de girassol, milho, aveia, arroz integral, laticínios, carne e chocolate].

A arginina é um percursor das moléculas chamadas poliaminas que são essenciais para a divisão celular. Um défice de arginina afeta a poliamina. No corpo, pode não se notar, mas como o folículo piloso é o órgão no qual o ritmo de multiplicação celular é o mais elevado, vai notar-se no cabelo.

A perda de densidade capilar é um problema feminino?

A mulher está mais atenta à qualidade da sua cabeleira, por isso queixa-se de forma mais espontânea. Além disso, há uma dimensão cultural e social mais importante a esse nível. No sexo masculino, existe outro problema que se sobrepõe à perda de densidade global: a alopécia. Eles apercebem-se mais rapidamente de uma alopécia em fase inicial do que de uma perda de densidade capilar. Geralmente não acontece nas mesmas idades.

«Se ingerimos alimentos ricos em cisteína (nozes, aveia, brócolos), isso vai refletir-se na qualidade do cabelo e das unhas»

Nas mulheres, a diminuição do diâmetro começa a meio da década dos 30; nos homens, pode ocorrer um princípio de alopécia aos 15 anos. Na mulher a queda capilar (alopécia difusa) acontece, regra geral, mais tarde, após a menopausa.

As características do cabelo podem afetar a sua densidade?

Se os cabelos são muito encarapinhados, terão tendência para quebrar mais facilmente. Raramente são cabelos muito compridos, porque têm pontos de rutura que quebram ao escovar. O cabelo oleoso não tem necessariamente uma perda de diâmetro ou de número de fios por cm2, mas o aspeto é afetado pelo sebo.

Lavar o cabelo todos os dias é prejudicial?

Depende do tipo de champô que usa. Se for suave, não há problema. Hoje em dia, temos cada vez mais em conta o papel das leveduras e bactérias que residem na superfície da pele. Estes micróbios são aliados da pele e há uma espécie de simbiose que tem um efeito benéfico na pele e no cabelo, por isso não devem ser eliminados totalmente. Como são bactérias, renovam-se muito rapidamente, mas não tenho a certeza de que seja necessário lavar o cabelo todos os dias.

É possível inverter a perda de densidade capilar?

Sim, se encurtar a fase de dormência, conseguirá aumentar a densidade capilar visível. Não vai aumentar a densidade de folículos no couro cabeludo, pois esse número está definido à nascença, mas poderá otimizar a transição entre as fases – dormente e ativa – globalmente ao nível da densidade do cabelo visível.

A perda de densidade é uma fase prévia à queda de cabelo?

Não. O que é considerado um sinal preditivo é o aumento da heterogeneidade de diâmetro capilar. Ao observar uma determinada zona, verifica-se que há cabelos mais finos, outros grossos. Mas quando há mais de 20 por cento de heterogeneidade, anuncia a alopécia. Isso, juntamente com o aparecimento de uma zona mais escura à volta do folículo, que indica uma micro inflamação local, e não é bom sinal. Na perda de densidade normal, isso não se verifica.

Última revisão: Novembro 2014

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