A melhor tinta para o cabelo

Entrevista e uma dermatologista sobre tinta para o cabelo.

É aquela que se adequa ao seu tom de pele e é segura para a haste capilar e couro cabeludo. A dermatologista Paula Quirino ajuda-a escolher a tinta para o cabelo mais indicada para si e diz-lhe o que tem de saber sobre coloração.

  • PorCarlos Eugénio AugustoJornalista

  • Entrevista aDra. Paula QuirinoMédica dermatologista

«O cabelo é uma estrutura em renovação. Se forem cumpridas as regras de aplicação dos produtos de coloração, obtém-se o efeito pretendido – cobertura de cabelos brancos ou mudança da cor – sem impacto negativo na saúde do cabelo nem efeitos secundários no couro cabeludo», afirma Paula Quirino, médica dermatologista, em entrevista à Revista Prevenir.

Segundo a especialista, a regulamentação dos cosméticos a nível europeu «é muito rigorosa» e tanto as colorações feitas no salão como em casa são seguras. «O risco de sensibilização existe, mas é uma questão individual, pois as alergias são imprevisíveis», explica. Para as evitar, é importante saber o que ter em conta ao escolher a tinta para o cabelo, identificar as principais substâncias alergénicas e conhecer os cuidados que os cabelos pintados exigem.

O que devemos ter em conta ao escolher uma tinta para o cabelo?

A tonalidade deve ser adequada à pele e não variar mais de dois tons, acima ou abaixo, da cor natural. É possível variar até seis tons, mas exige uma descoloração prévia, o que pode danificar a haste pilosa em cabelos mais finos ou fragilizados.

Quais os riscos da descoloração?

A descoloração consiste na remoção parcial ou total da melanina natural do cabelo, habitualmente com peróxido de hidrogénio a 12 por cento. Este processo destrói a queratina, ocasionando fragilidade da haste e danificando a cutícula, tornando os cabelos porosos. O cabelo fica mais sensibilizado, áspero, sem brilho, baço e frágil, mas esse efeito não é irreversível.

«Deve evitar-se as tintas para o cabelo que contêm amoníaco, por ser uma substância com um potencial de irritação elevado»

De entre as substâncias presentes nas tintas, que ingredientes devemos evitar?

Deve evitar-se as tintas para o cabelo que contêm amoníaco, por ser uma substância com um potencial de irritação elevado. Se o tempo de contacto com a pele não for respeitado e/ou o couro cabeludo estiver muito sensível, podem provocar dermite de contacto irritativa. As pessoas alérgicas devem evitar também a parafenilodiamina, a resorcina e o propilenoglicol. Estas substâncias podem existir em qualquer tipo de tinta.

Que substâncias devemos preferir ao escolher uma tinta para o cabelo?

Se não existir alergia aos componentes, pode ser usada qualquer tinta. No caso de alergias, o alergénio tem de ser identificado através de testes de alergia (epicutâneos), realizados pelo dermatologista, de forma a poder escolher a tinta adequada. A desvantagem das tintas recomendadas nestes casos é a sua curta durabilidade.

Qual o intervalo recomendado entre colorações?

Não existe um tempo mínimo obrigatório. O intervalo depende do crescimento do cabelo. Habitualmente é de três a quatro semanas.


Que cuidados devemos ter para evitar reações alérgicas?

Não pintar o cabelo com a pele do couro cabeludo com feridas ou com eczemas, pois o risco de sensibilização é superior.

As tintas à base de produtos naturais, como a henna, são mais saudáveis?

As tintas naturais com henna 100 por cento têm a vantagem de poderem ser utilizadas pelas pessoas alérgicas, por exemplo, à parafenilenodiamina (uma das substâncias mais usadas nas tintas permanentes). No entanto, não são tão duradouras e existe a limitação da cor – o cabelo fica com um tom vermelho alaranjado.

O que já se sabe sobre os efeitos da nova coloração a laser no cabelo e couro cabeludo?

Na coloração a laser é utilizada uma luz azul (470 nm) que não é um verdadeiro laser, mas sim um LED de 5 W. Este funciona como catalisador da reação química, acelerando o processo de oxidação e reduzindo para metade o tempo de exposição à tinta (de 40 para 20 minutos). Usam-se as mesmas tintas e, no fundo, não existe outra vantagem além do tempo necessário para fazer a coloração.

«Pintar o cabelo não interfere com a queda»

Durante a gravidez e período de amamentação, a mulher pode pintar o cabelo?

Não existe contraindicação nesses casos, mas as tintas com amoníaco devem ser evitadas.

A coloração pode melhorar a estrutura do cabelo?

Não tem interesse pintar o cabelo com esse intuito, pois aquilo que conseguirá é apenas um efeito transitório de camuflagem. Se uma mulher tem o cabelo fino, não pode pretender ter o cabelo grosso. Se o cabelo é oleoso, tem de ser lavado mais frequentemente.

Desaconselha a coloração em caso de queda?

Pintar o cabelo não interfere com a queda de cabelo.

Não existem diferenças entre um cabelo frequentemente pintado e outro que nunca o foi?

Pintar o cabelo não provoca nenhum dano irreversível no cabelo, pelo que não existem diferenças estruturais. O cabelo é uma estrutura em renovação. Depois de pintado, vai crescendo, é cortado e substituído. Daí a necessidade de retocar a pintura, em média, mensalmente.

Última revisão: Abril 2015

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