Os benefícios desconhecidos de 9 ervas aromáticas

Ervas aromáticas: como usar, benefícios

As ervas aromáticas têm o superpoder de transformar uma refeição simples num prato apetitoso e, sobretudo, saudável. É que podem e devem ser usadas para substituir o sal.

  • PorCarmen SilvaJornalista

  • ColaboraçãoDra. Eduarda AlvesNutricionista

As ervas aromáticas fazem parte da Dieta Mediterrânica, contribuindo para dar sabor e aroma aos alimentos. Podem ser consumidas «individualmente ou misturadas para obter novos sabores», refere a nutricionista Eduarda Alves; sendo, como sublinha, «uma ajuda preciosa para reduzir a quantidade de sal, cujo consumo máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de cinco gramas por dia. Infelizmente, ainda se consome muito sal em Portugal, o que contribui para o agravamento e desenvolvimento de várias patologias, como doenças cardiovasculares e insuficiência renal». Quando usadas «em pequenas doses, para cozinhar, o consumo de ervas aromáticas não representa problemas, mas, se forem consumidas para fins terapêuticos e em maior quantidade, devem ser usadas apenas sob o aconselhamento e supervisão de um profissional de saúde», recomenda Eduarda Alves.

9 ervas aromáticas: benefícios, contraindicações e como usar

Alecrim: aliado da digestão

Alecrim

Tem vários óleos essenciais, «como o limoneno», sendo uma boa opção para «quem tem digestão lenta, pois os seus componentes facilitam este processo», aponta Eduarda Alves. É ainda útil para quem sofre de «pressão arterial baixa e tonturas, pois ajuda a equilibrar a tensão arterial».

  • Contraindicações: Pertence ao grupo de ervas aromáticas que devem ser evitadas por «hipertensos, já que podem provocar o aumento da tensão arterial, e epiléticos que façam anticonvulsivantes, pois podem interferir com alguma medicação».
  • Como utilizar: Seco, «podendo ser adicionado aos alimentos durante a confeção ou no fim, ou fresco, devendo ser adicionado no final do preparado».
  • Use em… «carnes (borrego, porco, cabrito, aves), marinadas, tofu, seitan, saladas, massas, assados e batatas» ou para «aromatizar ovos cozido, ou para cozer peixe, juntando azeite e vinagre de cidra».

Cebolinho: rico em antioxidantes

Cebolinho

Possui «betacaroteno, que se transforma em vitamina A», e tem a vantagem de possuir «alguma vitamina C», além de minerais, como o potássio e o cálcio, salienta Eduarda Alves. Além disso, «contém vários bioativos com ação antioxidante e que vão estimular a produção de enzimas e ajudar na digestão, como o ácido ferúlico, ácido p-cumárico e o quercetol».

  • Contraindicações: Pertence ao grupo de ervas aromáticas que, geralmente, são bem toleradas por todas as pessoas.
  • Como utilizar: Preferencialmente fresco e cru, visto que, «se for cozinhado, o aroma e sabor quase desaparecem».
  • Use em… «saladas, sopas, omeletas, massas e molhos, nomeadamente com iogurte e de tomate».

Coentro: fonte de vitamina C

ervas aromaticas: Coentro

É uma das ervas aromáticas mais rica em ferro, tem uma boa quantidade de vitamina C e cálcio, podendo contribuir como coadjuvante na prevenção da anemia. «Os óleos essenciais terpineno e linalol conferem-lhe o aroma e sabor e contribuem para a estimulação da produção de bílis e de enzimas, ajudando na digestão», explica Eduarda Alves. Possui ainda «propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias».

  • Contraindicações: Ao contrário de outras ervas aromáticas, «não tem, salvo em casos de intolerância ou alergia.»
  • Como utilizar: De preferência «fresco e cru para maior preservação do aroma e sabor».
  • Use em… «infusões, saladas, caldeiradas, sopas, massas e estufados de leguminosas».

Hortelã: ação descongestionante

ervas aromaticas: Hortelã

As suas características devem-se a óleos essenciais, como mentol e mentofurano, sendo útil «na parte respiratória por ser descongestionante», refere Eduarda Alves. É ainda «anti-inflamatória e pode auxiliar em situações de má digestão e flatulência».

  • Contraindicações: Desde que se tolere bem, pertence ao grupo de ervas aromáticas que «não deve ser evitada, havendo quem a utilize no alívio de dores menstruais e musculares».
  • Como utilizar: «Preferencialmente fresca e crua para aroma e sabor mais intensos.»
  • Use em… «doces (por exemplo, passar as folhas por chocolate preto com mais de 70 por cento de cacau), chás, infusões, batidos, sumos, rebuçados, saladas, massas, tofu, seitan e assados de carne».

Louro: combate a flatulência

Louro

«Graças a compostos químicos como metil pentanoato e cineol, pertence ao grupo de ervas aromáticas que possui propriedades diuréticas e digestivas. Também ajuda na redução da formação de gases», indica Eduarda Alves.

  • Contraindicações: Deve ser retirado «o veio central da folha devido a possíveis substâncias neurotóxicas, que podem ter efeito cumulativo no organismo».
  • Como utilizar: «Seco e cozinhado, pois tem uma ação mais eficaz.»
  • Use em… «carne, peixe, legumes, tofu, seitan, molhos e para aromatizar azeite, ovos, batatas e peixe cozido, que, se for congelado, fica mais saboroso cozinhado em água com cebola, cenoura, salsa, louro e gotas de azeite.»

Manjericão: alivia cólicas e azia

ervas aromaticas: Manjericão

É outra das ervas aromáticas ricas em ferro, vitamina C e betacaroteno. Possui «óleos essenciais, como o linanol, que ajuda nas cólicas intestinais e na digestão», afirma Eduarda Alves. É ainda útil «em casos de diarreia ou azia», acrescenta.

  • Contraindicações: Pode ser consumido desde que «a pessoa não seja intolerante ou alérgica».
  • Como utilizar: Preferencialmente «fresco e cru para aproveitar melhor os óleos essenciais».
  • Use em… «massas, molho pesto, tofu, seitan, saladas, carne, peixe, pão com queijo, com folhas de manjericão e rodelas de tomate e em algumas bebidas.»

Orégão: anti-inflamatório natural

Orégão

É graças a compostos químicos, como «o timol e carvacrol, que os orégãos têm propriedades digestivas e ajudam a reduzir inflamações, e estimulam a produção de bílis e de algumas enzinas», aponta Eduarda Alves.

  • Contraindicações: Deve ser evitado «em casos de alergias e intolerâncias».
  • Como utilizar: De preferência «seco porque o seu sabor é melhor, podendo ser adicionado durante o cozinhado, mas o ideal é incluir no fim, para sabor e aroma mais acentuados».
  • Use em… «saladas, pão, pizzas, molho de tomate, massas com queijo, pratos de peixe, legumes e cogumelos».

Salsa: previne a anemia

ervas aromaticas: Salsa

Rica em ferro e em vitamina C, «quem tem anemia pode adicioná-la durante a confeção ou picada no prato, como um extra, juntando sumo de limão, pois reforça a quantidade de vitamina C e ajuda o ferro a ser mais bem assimilado pelo organismo», explica Eduarda Alves. Tal como outras ervas aromáticas, auxilia ainda «na digestão e é diurética».

  • Contraindicações: Deve ser evitada «por quem for intolerante ou alérgico».
  • Como utilizar: De preferência fresca e crua, mas pode ser cozinhada.
  • Use em… «sopas, caldeiradas, jardineiras, assados, marinadas e infusões».

Tomilho: o melhor substituto do sal

ervas aromaticas: Tomilho

«Tem ação expetorante devido a compostos como o carvacol e o timol, úteis em casos de síndromes gripais e de rinites, sinusites e bronquites». Também «ajuda na produção de bílis e na digestão». É das ervas aromáticas «que melhor substitui o sal devido ao seu sabor».

  • Contraindicações: «Pessoas com sensibilidade alérgica a esta planta, ou intolerância à mesma.»
  • Como utilizar: «Seco, podendo ser adicionado durante o cozinhado. Adicionado no fim, o aroma e sabor vão ser mais acentuados».
  • Use em… «infusões, para aromatizar azeites e vinagres, em massas, legumes estufados, sopas e pratos de caça».

Secas, frescas ou congeladas: Qual a melhor forma de as consumir?

A nutricionista Eduarda Alves sugere:

  1. «O ideal é consumir as ervas aromáticas frescas e secas, para garantir a maior qualidade dos bioativos».
  2. As servas aromáticas ecas, por norma, «podem perder nutrientes, mas, se forem devidamente secas (de forma natural, num local seco, abrigado e sem luz, por exemplo penduradas em ramos ou num tabuleiro) mantêm grande parte dos benefícios».
  3. «As versões congeladas são uma alternativa e mantêm as propriedades nutricionais, mas perdem muito o aroma e sabor.»

«O uso de folhas de louro durante a cozedura do feijão ou do grão ajuda a melhorar a sua digestão», explica a nutricionista Eduarda Alves

Como cultivar ervas aromáticas em água

As ervas aromáticas consumidas no momento em que são colhidas conservam mais as suas propriedades. Experimente tê-las em casa, num vaso. Se optar por colocá-las em água, como a hortelã ou o manjericão, faça assim:

  1. Coloque as estacas das ervas aromáticas, retirando as folhas da parte que vai estar em contacto com a água (para não apodrecer), num frasco ou vaso de vidro com bocal estreito.
  2. Use água da nascente, mineral ou da chuva, evitando a da torneira devido ao cloro.
  3. Se o vidro for transparente, tape (com autocolante), para evitar que, expondo demasiado as raízes à luz solar, ganhem musgo.
  4. Mude a água uma vez por semana até à quarta ou quinta semana. A partir daí não será necessário continuar a mudar pois as raízes já deverão estar sedimentadas.

Fonte: Informação adaptada do blogue A Senhora do Monte, projeto relacionado com sustentabilidade e agricultura biológica

Última revisão: Junho 2020

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