6 razões para escolher alimentos bio

6 razões para preferir alimentos bio

Uma análise a vários estudos do Centro de Serviços de Investigação do Parlamento Europeu revelou que ao optar por alimentos bio estará a ingerir menos substâncias prejudiciais à saúde, como pesticidas e antibióticos. E não só.

  • PorRita AlvesJornalista

  • ColaboraçãoProf.ª Dra. Margarida SilvaProfessora na Escola Superior de Biotecnologia

Quem opta pelo consumo de alimentos bio tem um estilo de vida mais sustentável – como, por exemplo, uma menor emissão de gases com efeito de estufa –, mais saudável – ingere maiores quantidades de fruta, vegetais e cereais integrais – e tem preocupações éticas, como o bem-estar animal e de segurança alimentar. O perfil deste tipo de consumidor é traçado no relatório Human Health Implications of Organic Food and Organic Agriculture, que resultou da análise, por vários investigadores europeus, de estudos na área da alimentação e da agricultura biológica e o seu impacto na saúde.

Apesar de o mesmo relatório indicar que «no que toca à composição e valor nutricional, as diferenças entre os alimentos produzidos através de agricultura biológica e de agricultura comum são praticamente inexistentes», o mesmo ressalva que nas plantas biológicas, o teor de polifenóis – substâncias antioxidantes – é ligeiramente mais elevado (cerca de 20 por cento). Embora estes componentes não sejam essenciais aos humanos, «têm potenciais benefícios para a nossa saúde, desempenhando um papel importante na prevenção de doenças não transmissíveis, como as cardiovasculares, neurodegenerativas e cancro». Além destes benefícios, a Revista Prevenir revela-lhe outros motivos para consumir alimentos bio, revelados na investigação.

  1. Têm maior teor de ómega-3

    O tipo de alimentação dos animais influencia o conteúdo nutricional dos produtos que estes nos fornecem. De acordo com o relatório europeu, o principal alimento dos animais criados sob um regime biológico é a erva. Como esta é rica em ómega-3, a carne, leite e ovos destes animais têm um maior teor deste ácido gordo em comparação com os de produção convencional. No caso do leite, é 50 por cento superior. Embora este fator seja uma mais-valia do ponto de vista nutricional, «estes alimentos representam apenas uma pequena porção em termos de ingestão de ómega-3», esclarece o relatório

  2. Menos pesticidas

    De acordo com o relatório, «a agricultura comum adota o uso de pesticidas sintéticos para proteger as plantações». Tal traduz-se na presença de resíduos de pesticidas nos alimentos que ingerimos. Na União Europeia, estes foram detetados em 44,4 por cento dos alimentos obtidos através da agricultura comum. No caso dos biológicos, em 15,5 por cento. Vários estudos epidemiológicos referidos no relatório apontam o impacto negativo que os atuais níveis de alguns inseticidas podem ter no crescimento e desenvolvimento cognitivo e sexual infantil. Estas substâncias estão, ainda, associadas a um maior risco de desenvolver doenças. É o caso do Parkinson, diabetes tipo 2 e certos tipos de cancro, como linfoma não Hodgkin e leucemia na infância ou linfomas.

    «Na agricultura biológica, são adotadas medidas de prevenção,
    o que resulta numa redução do uso de pesticidas e numa menor exposição por parte dos consumidores»

    O mesmo relatório esclarece, ainda, que a adoção do consumo de alimentos bio pode minimizar os riscos associados à ingestão de pesticidas, sobretudo durante a gravidez e infância. Além disso, «na agricultura biológica, são adotadas medidas de prevenção, protegendo as plantas, o que resulta numa redução do uso destas substâncias tóxicas e numa menor exposição por parte dos consumidores». Assim, os riscos para a saúde são menores. Deste modo, «poderá continuar a consumir as doses recomendadas de frutos e vegetais sem, no entanto, ultrapassar os limites seguros da ingestão de pesticidas», esclarecem os autores do relatório.

  3. Contêm menos metais tóxicos

    «A alimentação é a principal fonte de exposição ao cádmio – um metal tóxico – para os não fumadores, estando os níveis atuais no limite máximo recomendável e, por vezes, acima deste», alertam os autores deste relatório. Segundo ele, «este metal é tóxico para os rins, pode desmineralizar os ossos e é carcinogéneo». Embora o cádmio esteja naturalmente presente nos solos, o uso intensivo de fertilizantes utilizados na agricultura comum que contêm este metal tóxico leva a um aumento dos seus níveis. Graças aos tipos de fertilizante e matéria orgânica dos solos utilizados na agricultura biológica, estudos referidos no relatório em questão indicam que os alimentos obtidos através desta forma de produção têm concentrações de cádmio mais baixas (principalmente em cereais integrais).

  4. Possuem menos antibióticos

    O uso de antibióticos é, atualmente, quase um sinónimo de produção animal intensiva (a mais comum). De acordo com a Organização Mundial da Saúde, é uma das principais causas para o desenvolvimento de resistência a antibióticos por parte das bactérias. Segundo o relatório europeu, são utilizados mais antibióticos na produção animal do que na saúde humana.


    Esta ameaça pode ser minimizada com a adoção da pecuária biológica, que aposta em medidas de prevenção de doenças – como cuidados de higiene e uma menor densidade animal. Pelo contrário, a intensiva adota o uso de antibióticos com fins profiláticos, esclarecem os autores do relatório. Deste modo, os animais não são tão propensos a desenvolver doenças, sendo necessária uma quantidade muito menor de antibióticos. Consequentemente, há«um menor risco de desenvolvimento de resistência a estes medicamentos».

  5. Menos alergias nas crianças

    Segundo um dos estudos analisados no relatório, o leite materno de mulheres que preferem alimentos bio tem um maior teor de ácidos gordos ruminantes. Trata-se de um ácido gordo sintetizado pelo metabolismo bacteriano de ácidos gordos insaturados em animais ruminantes, encontrados em alimentos que derivam dos mesmos. Os níveis apresentados por estas mulheres podem estar associados a um menor risco de alergias na infância.

    A adoção do consumo de alimentos bio pode minimizar os riscos associados à ingestão de pesticidas, sobretudo durante a gravidez e infância

  6. São os únicos alimentos que não usam transgénicos

    De acordo com Margarida Silva, ambientalista e professora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, a conclusão mais importante desta análise é a que os «alimentos biológicos e a produção biológica são melhores para a saúde das pessoas do que a agricultura convencional ou transgénica. As vantagens para o ambiente sempre foram muito claras, mas o impacto direto na saúde e bem-estar da população não estava ainda estabelecido. Este estudo vem pôr um ponto final na controvérsia». Além disso, os alimentos bio são os «únicos que dão garantias de não usar ingredientes transgénicos, seja nos produtos vegetais, seja nos animais», adianta.

Última revisão: Março 2017

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